Câmara do Japão
Japonês
Buscar: OK

Tópicos

 

 

 

 

 

 

(390)Você está em:
  • Home »
    • Câmara em ação
      • » Opinião

Opinião

Selecione datas para filtrar: a OK
Ausência na educação 01/08/2017

Dados do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE), divulgados recentemente pela Folha de S. Paulo, mostram que cada professor das redes públicas de ensino do estado mais rico da nação falta, em média, 30 dias por ano. O principal motivo seria o grande volume de licenças médicas, em torno de 60% das ausências. As faltas equivalem a 15% do total de 200 dias letivos que as escolas são obrigadas a cumprir. De acordo com especialistas, esses dados sinalizam a precariedade da carreira do professor. Dois em cada dez docentes em São Paulo dão aulas em mais de uma escola, às vezes trabalhando em redes de ensino diferentes. Os números referem-se a 370 mil professores que atuaram nas redes públicas em 2015. No total, foram 11 milhões de faltas.

O impacto das ausências está intimamente ligado à qualidade de ensino, conforme comprovou estudo do TCE. Quanto mais faltas de professores, menor é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Existem ainda dúvidas se todas as escolas computam as faltas dos docentes, o que poderia trazer à tona um quadro ainda mais angustiante.

Um dos fatores que expõe a fragilidade da carreira docente é a baixa remuneração. O ganho médio dos professores equivale à metade do que recebem profissionais com a mesma escolaridade. Com isso, os docentes buscam aulas nos três períodos, elevando a carga horária e agravando os motivos para as ausências. De acordo com a Prova Brasil 2015, um questionário aplicado aos professores, 39% deles trabalham mais de 40 horas semanais, o que dificulta também o preparo das aulas e, consequentemente, impacta a qualidade do ensino.

A educação é o grande motor do desenvolvimento. Enquanto não alcançarmos políticas públicas que melhorem as condições de trabalho dos professores, aprimorem as estruturas das escolas e consigam sintetizar uma grade curricular mais próxima do interesse e das necessidades dos alunos, o país continuará a sofrer severas perdas do ponto de vista econômico e social. Para progredir, destacar-se no mercado internacional e melhorar a qualidade de vida da população, é necessário que o país invista na qualidade de ensino e, principalmente, na figura central da educação, que é o professor.

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE, do Conselho Diretor do CIEE Nacional e da Academia Paulista de História (APH).

Luiz Gonzaga Bertelli (Foto: Divulgação)



Últimas

2017/12/11 » A esquerda dos artistas
2017/11/27 » Rejeição à política tradicional
2017/11/21 » Um deserto de ideias
2017/11/13 » As duas imagens do Brasil
2017/11/06 » Polarização dará o tom
2017/10/30 » Os perigos de outsiders
2017/10/23 » Governos na quarta marcha
2017/10/09 » Avulsos e a democracia representativa
2017/10/02 » Si vis pacem, para bellum
2017/09/25 » A massas, Lula e Bolsonaro
2017/09/18 » Tentando ver além das nuvens
2017/09/11 » Lambança delatória
2017/09/05 » Oração pela pátria
2017/08/28 » Reforma política? Meia boca
2017/08/21 » O combate ao poder invisível
2017/08/14 » Revoada na floresta tucana
2017/08/07 » A imagem negativa do governo
2017/08/01 » As chances de Bolsonaro e Lula
2017/08/01 » Ausência na educação
2017/07/24 » A saída para a crise

Ver mais »