Câmara do Japão
Japonês
Buscar: OK

Tópicos

 

 

 

 

 

 

(390)Você está em:
  • Home »
    • Câmara em ação
      • » Opinião

Opinião

Selecione datas para filtrar: a OK
Os perfis mais desejados 26/02/2018

Que conceito tem hoje o político? Pesquisas mostram que, de cada 100 brasileiros, apenas três confiam nos representantes. 

Até o pleito de outubro, os eleitores colocarão uma lupa sobre os candidatos, um controle mais apurado do que em eleições passadas. Primeiro, em função da desconfiança nos políticos. Segundo, porque o voto começa a subir do coração para a cabeça. Voto racional no lugar do emotivo. Terceiro, porque o conjunto do eleitorado, de costas para a política, se abriga em entidades de referência e defesa – sindicatos, associações, clubes, movimentos de todos os tipos –, que orientam a escolha para perfis comprometidos com seus interesses. Bancadas setoriais ganharão amplitude. O eleitor estará afinado ao espírito do tempo. 

Que conceito tem hoje o político? Pesquisas mostram que, de cada 100 brasileiros, apenas 3 confiam nos representantes. Escândalos em série contribuem para sua má avaliação. E o que atrairá a atenção? Vejamos. A autoridade é seguramente um valor que chama a atenção. O brasileiro sente-se atraído pela figura do pai, a expressar autoridade, respeito, a figura capaz de suprir as necessidades da família. Mas não se deve confundir autoridade com autoritarismo, que abriga arbitrariedade. 

O equilíbrio é muito considerado. Pessoas desequilibradas não merecem consideração, mesmo que a palavra dura e um murro na mesa façam hoje parte do discurso (Bolsonaro absorve a condição). Equilíbrio se liga à harmonia, serenidade, sentimento de justiça, valores que geram confiabilidade e respeita-bilidade, base da boa imagem.

Desafios da administração e demandas sociais exigem conhecimento e experiência para o encontro de soluções. O eleitor desconfia de aventureiros e ignorantes por consi-derá-los “um tiro no escuro”. O preparo e o ideário bem organizado emolduram a ima-gem positiva. Ainda mais se o ideário ganhar o apoio de entidades. O bom candidato é também aquele que sabe articular, intermediar e interagir com grupos organizados. Urge respirar o “cheiro das ruas”. A proximidade com o povo se faz necessária.  

E os valores negati-vos? Indecisão é um deles. Associa-se à ideia de pessoa fraca, sem personalidade. Encrenqueiro e corrupto, então, nem se fala. O brasileiro desconfia de estilos rompantes, viradores de mesa. Mudanças são desejáveis, mas sem grandes sustos. 

Quem está ligado a teias de corrupção será visto com desconfiança. Perfis sem programas, sem domínio de temas, terão voo curto. Morrerão antes de chegar à praia. Mas o conceito central de um político é a identidade, que abriga a história, o pensamento, a coerência, os sentimentos e a maneira de ser. Se ele possui uma identi-dade forte, terá espaço nas boas lembranças dos eleitores. Uma boa imagem, porém, não nasce e cresce no espaço de uma campanha.

Conselho: comece, eleitor, a focar a lupa sobre os perfis de eventuais protagonistas. 

Gaudêncio Torquatojornalista, professor titular da USP, é consultor político e de comunicação. Twitter: @gaudtorquato

Ar-13-04-11-gt-280

Gaudêncio Torquato (Foto: Divulgação)



Últimas

2018/12/03 » O nosso habitat ideológico
2018/11/19 » Tempos de prevenção
2018/11/12 » Militares de volta à cena Política
2018/11/05 » A velha guerra verbal do PT
2018/10/29 » O governo Bolsonaro
2018/10/26 » O comportamento contraditório e a boa-fé
2018/10/15 » O trunfo é paus
2018/10/01 » Ingovernabilidade à vista
2018/09/17 » Eleições e visões de Estado
2018/09/10 » Mais emoção ou mais razão?
2018/09/03 » Pedras sobre o Judiciário
2018/08/29 » Os três tipos de campanha
2018/08/20 » Os caminhos da eleição
2018/08/13 » À direita, volver
2018/08/06 » Um país dividido
2018/07/30 » Quem é o vice?
2018/07/23 » O enigma Bolsonaro
2018/07/16 » A ameaça do "não voto"
2018/07/02 » Os dândis do futebol
2018/06/25 » À procura de um muro?

Ver mais »