Câmara do Japão
Japonês
Buscar: OK

Tópicos

 

 

 

 

 

 

(390)Você está em:
  • Home »
    • Câmara em ação
      • » Opinião

Opinião

Selecione datas para filtrar: a OK
Crônica da barbárie 26/03/2018

Vivemos tempos bárbaros. A face de um Brasil violento se escancara, a partir do mais bonito cartão postal brasileiro, o Rio de Janeiro, onde jorra sangue na guerra entre as forças de segurança e a bandidagem. Manchetes sobre a tragédia carioca ganharam o mundo com o crime da vereadora Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista Anderson, vítimas de milícias.

Os números da violência espantam: mais de 60 mil assassinatos por ano no Brasil, o que supera em quase 15 mil os da Europa inteira, Estados Unidos e China, esta com uma população quase cinco vezes maior. Ou seja, em apenas uma hora, 7 cidadãos tombam vítimas da bandidagem.

Com a repressão no Sudeste, as gangues fogem para outras regiões, particularmente o Nordeste, que respira um clima de medo. No contraponto, policiais com proventos atrasados e em greve, equipamentos sucateados, ruas sem segurança e violência se espraiando.

O total de vítimas fatais é maior que o das guerras modernas. Deve-se considerar também o empobrecimento do país. O rombo da Previdência, por exemplo, tem a ver com o cano assassino que mata, aleija multidões, alarga a fila nos hospitais, multiplica as pensões de viúvas, devastando parcela ponderável do PIB, dinheiro que poderia ser investido em hospitais, escolas, casas, transportes e agricultura.

Mas a barbárie possui outras facetas, como a dos privilégios. Em tempos de escassez, é inadmissível que categorias profissionais defendam com unhas e dentes vantagens incorporadas aos seus salários, alargando a distância entre os milhões de brasileiros que vivem com um salário mínimo e as castas que juntam mensalmente 30, 40, 50 mil ou mais de proventos, somando subvenções para auxílio-moradia, auxílio-paletó, auxílio-transporte, auxílio-comida, auxílio-livro e etc.

A barbaridade sobe os pedestais. Veja-se o que ocorreu no altar da nossa mais elevada Corte Judicial nesta quinta-feira, durante o julgamento do Habeas Corpus encaminhado pela defesa do ex-presidente Lula. Mais de quatro horas de exposições e debates, porém ainda não o mérito. Decide-se por maioria pelo acolhimento e, por solicitação do advogado de defesa, acolhe-se uma liminar para que Lula não possa ser preso até 4 de abril, data de julgamento do HC. Blindagem contra eventual posição do TFR-4, a ser tomada dia 26 de março, quando deverá julgar os embargos de declaração interpostos pela defesa de lula. Se não forem aceitos, presume-se que o corpo de juízes mande prender Lula, já condenado.

A barbaridade vem agora. Um ministro do STF avisa que irá viajar. A sessão poderia ter continuado, mas foi suspensa por cansaço de Suas Excelências. Na Semana Santa terão um tempinho de lazer. O HC tem prioridade ou as conveniências pessoais prevalecem? A imagem do STF, já desgastada por querelas pessoais, acaba esmaecida.

Gaudêncio Torquatojornalista, professor titular da USP, é consultor político e de comunicação. Twitter: @gaudtorquato

Ar-13-04-11-gt-280

Gaudêncio Torquato (Foto: Divulgação)



Últimas

2018/04/23 » A fadiga democrática
2018/04/16 » O uso dos nomes em vão
2018/04/16 » Riscos e desafios do sistema sindical
2018/04/09 » Longe da Pátria
2018/04/02 » A nova policromia social
2018/03/26 » Crônica da barbárie
2018/03/19 » O povo não é uma abstração
2018/02/26 » Os perfis mais desejados
2018/02/19 » A dispersão do centro social
2018/02/05 » O dandismo na campanha
2018/01/22 » As leis no lixo
2018/01/15 » Os candidatos e suas circunstâncias
2017/12/18 » A política voltando ao leito
2017/12/11 » A esquerda dos artistas
2017/11/27 » Rejeição à política tradicional
2017/11/21 » Um deserto de ideias
2017/11/13 » As duas imagens do Brasil
2017/11/06 » Polarização dará o tom
2017/10/30 » Os perigos de outsiders
2017/10/23 » Governos na quarta marcha

Ver mais »