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Os desafios da maior cidade 11/03/2009

Frequentemente, sou instado a responder a uma recorrente pergunta: o que significa governar a maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo? Confesso que a resposta comporta respostas múltiplas e complexas. Tentarei, aqui, resumir algumas abordagens. Arrisco-me, inicialmente, a afirmar que governar uma metrópole de 11 milhões de habitantes, é mais que herdar e administrar um acervo gigantesco de problemas e demandas: é ter consciência de que os atos e decisões do prefeito de uma metrópole como São Paulo, como bem lembra o prof. Luiz César Queiroz Ribeiro (UFRJ), estão no centro dos dilemas das sociedades contemporâneas.

Essa hipótese leva em consideração a expansão dos aglomerados urbanos do porte de megalópoles, as quais, em 2015, serão 33 no mundo, das quais 27 estarão localizadas em países em desenvolvimento. No caso do Brasil, 15 metrópoles concentram as forças produtivas, centralizando 62% da capacidade tecnológica do país.

Centro de uma região metropolitana com 39 municípios e 19 milhões de pessoas, São Paulo, como é fácil deduzir, herda parcela ponderável dos efeitos da conurbação entre os espaços urbanos, significando que o crescimento demográfico na capital ultrapassou o ritmo da organização política e social, da geração de empregos e da expansão das estruturas de serviços. Logo, um dos primeiros desafios do administrador é o de procurar preencher as carências infraestruturais, tendo ao alcance o mapa das desigualdades e a planilha de prioridades.

Em 1950, São Paulo tinha 1,5  milhão de habitantes. Durante décadas, levou o título de “cidade que mais cresce no mundo”. O crescimento desordenado gerou espaços diferenciados e manchas urbanas multiformes. Na periferia leste de São Paulo, a Cidade Tiradentes apresentou, na última década, taxa de crescimento acima de 7% ao ano, enquanto áreas centrais, como a Sé, registram taxas bem inferiores. As realidades de cada região exigem tratamentos diferenciados e condições próprias. Não por acaso, diz-se que governar São Paulo é administrar 10 metrópoles de mais de 1 milhão de habitantes, cada uma com sua identidade.

Governar São Paulo é, sobretudo, evitar soluções mágicas. Não há coelho na cartola quando se trata de um trânsito que recebe, a cada dia, quase mil veículos, somando, hoje, cerca de seis milhões, quantidade de carros de toda a Argentina e 14% da frota brasileira. O bom senso recomenda investimentos pesados no transporte coletivo, a partir do metrô. Locais de emprego distantes formam aglomerados de viajantes dentro do espaço metropolitano, forçando milhares de cidadãos a gastarem boa parte de seu tempo e de seu salário em transporte. Descongestionar os espaços significa, ainda, melhorar a mobilidade e organizar pólos econômicos nas regiões, indispensáveis para gerar emprego e renda de forma mais equilibrada. Nesse sentido, precisamos encontrar o elo perdido do planejamento solidário intermunicipal, visando solucionar problemas comuns e atenuar os efeitos perversos da competição entre municípios da região metropolitana. Mais do que nunca, é preciso recriar a articulação do conjunto.

Governar São Paulo é saber que a estrutura de saúde adquire escala geométrica e que o grande desafio que se apresenta nesta área é o de atingirmos o padrão aceitável de 4,5 leitos para cada mil habitantes. Problemas críticos são os da água, lixo, meio ambiente e habitação. Não é fácil arrumar remédios para curar todas as mazelas, sabendo que algumas delas são crônicas. A segregação residencial, por exemplo, é uma porta de entrada da violência. Por isso, estamos equacionando o drama de 3 milhões de pessoas que moravam em condições inadequadas no início da gestão. Com a manutenção do ritmo de investimentos, em 16 anos o problema de moradia dos estratos marginalizados estará resolvido.

Em suma, a eficácia da ação administrativa requer, para cada setor, definição de interesses e demandas dos usuários, planejamento da  intervenção administrativa, identificação dos atores sociais envolvidos com as questões e articulação política e institucional. No mais, importa ter vontade e determinação. Sem medo de arriscar. Como disse T. S. Eliot, “somente aqueles que se arriscam sabem até onde podem chegar”.

 

Gilberto Kassab (DEM-SP), engenheiro e economista, é prefeito de São Paulo.

(foto: Divulgação)



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