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Tecnologia e Teletrabalho: novos horizontes nas relações de trabalho 19/03/2020

A pandemia do Coronavírus teve um impacto inusitado, ainda que bastante previsível, nas relações de trabalho brasileiras: a adoção em massa do assim chamado teletrabalho ou, como é mais conhecido,  home office. A presente situação é um excelente exemplo de como o desenvolvimento tecnológico pode proporcionar ganhos consideráveis para a sociedade de maneira geral, e para as empresas, de forma mais particularizada. O home office  é uma forma de se manter a produtividade enquanto se protege os empregados do risco de contaminação. Este artigo tem como objetivo discutir as diversas facetas do teletrabalho, desde as inovações tecnológicas que possibilitam sua existência, suas implicações, e até mesmo limites da prática.

O home office expressa de forma bastante dinâmica alguma das tendências mais relevantes do avanço tecnológico das últimas décadas. A primeira de a ser destacada é o advento do PC. Desde o início da década de 70, os computadores passaram de enormes mainframes ocupando andares inteiros em laboratórios e universidades a aparelhos disponíveis para o uso da população em geral. Pode parecer mundano e trivial hoje, mas o surgimento dos personal computers foi determinante para que essa ferramenta se tornasse presente nos lares das pessoas. Isso cria não só a possibilidade de se usar em casa os mesmos programas e aplicativos que estão disponíveis nos computadores da empresa. Entretanto, a mera existência dos PCs não é suficiente. Isso se dá porque, num primeiro momento, não havia como realizar certas tarefas: reuniões, comunicação com clientes, ou mesmo verificar o andamento dos trabalhos. É aí que entra a internet.

Sem dúvida, a internet é um dos eventos cujo impacto mais transformações causou na sociedade a partir do último quarto do século XX e durante tudo que já transcorreu no século XXI. A velocidade da informação aumentou exponencialmente,  e a conexão em rede em muito contribuiu para facilitar, por exemplo, a comunicação entre a sede e as filiais de uma multinacional. Não só isso, a globalização do mercado financeiro se deve em muito à conectividade provida pela internet.

No caso específico do home office, a internet proporcionou a possibilidade da manutenção da comunicação com gestores e colegas de trabalho, em que pese a comunicação em tempo real ainda ser uma conquista relativamente recente. Dessa forma, a partir de e-mails, teleconferências e outras utilidades, se tornou possível realizar, desenvolver e gerir as tarefas do quotidiano corporativo de dentro de casa.

É claro que há limitações. Se por um lado o home office com aplicabilidade bastante ampla para o setor de serviços, para o setor industrial ela se apresenta apenas como solução para a área administrativa. É bem possível projetar um futuro em que as funções da linha de montagem estejam completamente automatizadas e sujeitas apenas ao controle de qualidade remoto. Entretanto, essa realidade ainda está sendo desenvolvida pelas mentes que lideram processos de inovação e desenvolvimento tecnológico.
Dito isso, mesmo para empresas cuja atividade permite a adoção de forma mais geral da prática de home office, há cuidados a serem adotados. A absorção da cultura da empresa é algo que se dá – em grande parte - através de convivência e observação de pares. Uma empresa que se organize totalmente no regime de  teletrabalho teria que desdobrar seu RH para que esse pudesse trabalhar a cultura da empresa de maneira eficaz com os empregados.

Dito de outra forma, como qualquer ferramenta, o home office  apresenta uma funcionalidade específica e não é uma solução geral para todos os desafios do mundo corporativo. Contudo,  dentro de seu escopo, ele pode prover uma diversidade de soluções, como ampliar a qualidade de vida dos empregados através da jornada flexível, como significar economia em infraestrutura ou mesmo como forma de se comunicar com uma equipe globalmente posicionada. No fim, o home office se afigura como um dos grandes exemplos de como as empresas podem se beneficiar ao se disporem a adotar a inovação e a tecnologia como parte de sua visão.

Valter Shimidu, sócio das áreas trabalhista e previdenciária da KPMG no Brasil.

Valter Shimidu (Foto: Divulgação)



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