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Opinião

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A crise econômica mundial e a relação bilateral Brasil-Japão 16/06/2009

Com muita satisfação aqui me encontro para falar um pouco sobre a centenária relação Japão-Brasil.

Agradeço à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, à Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social, à Federação das Associações das Províncias do Japão no Brasil e à Câmara do Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, por esta oportunidade.

As festividades do Centenário da Imigração Japonesa, realizadas no ano passado, envolvendo os mais variados setores da sociedade brasileira, reuniram milhares de pessoas, numa contagiosa corrente de simpatia. São Paulo foi o palco de uma quantidade maciça de eventos, todos alcançando pleno êxito.

O grande momento da comemoração foi a visita do príncipe-herdeiro Naruhito ao Brasil, em junho, quando participou das cerimônias oficiais.

Aqui em São Paulo, os brasileiros, descendentes de japoneses ou não, vieram de várias partes do Brasil para recepcionar o príncipe, demonstrando todo o seu carinho e simpatia. 

A emoção que senti nessa cerimônia, com toda essa demonstração do povo brasileiro, ainda permanece viva em mim. 

Aproveito o ensejo para agradecer a todos os organizadores, colaboradores, voluntários, pela incansável dedicação à concretização  dessas inúmeras atividades.

Esse centenário foi mais do que um momento de celebração. Foi uma valiosa oportunidade para muitos  japoneses e brasileiros conhecerem melhor os respectivos países.

Permitiu-me também constatar o elevado conceito que os imigrantes japoneses e seus descendentes conquistaram junto à sociedade brasileira. Com muito labor e esforço, hoje estão contribuindo ao maior dinamismo da economia brasileira. É uma contribuição que cresce tanto qualitativa como quantitativamente, o que, sendo japonês, me enche de orgulho.

Os intensos ir e vir dos dois povos durante as comemorações, entre autoridades, personalidades ilustres, famosos e anônimos, em especial as pessoas comuns, possibilitaram renovar a amizade centenária, abrindo as portas  para uma nova parceria bilateral.

É desnecessário mencionar que, São Paulo foi o centro desse grande movimento.

Esse centenário exerceu um papel crucial para conduzir as relações nipo-brasileiras a um patamar mais elevado em termos de diversidade e qualidade. Foi também uma oportunidade ímpar para despertar no Japão um novo interesse pelo Brasil.

O Brasil emerge como a grande potência mundial, contribuindo na elevação da qualidade de desenvolvimento econômico, com o seu crescente dinamismo e sólida democracia.

Essa responsável macroeconomia e estabilidade política fazem com que o país seja a estrela do momento dentre os países emergentes , atraindo a atenção do mundo todo, inclusive do Japão.

Nas décadas de sessenta e setenta, a relação econômica do Japão e do Brasil tiveram a sua “época dourada” representada por grandes projetos nacionais como a Usiminas, Albrás, Cenibra, entre outras.

Infelizmente, essa gloriosa relação se distanciou devido à estagnação da economia dos nossos países.

A maioria dos senhores é testemunha viva dessa “época dourada” e “das duas décadas perdidas”, sendo que não irei entrar em detalhes.

A onda de euforia referente aos “BRICs” e o atual desenvolvimento do Brasil proporcionaram para que o setor empresarial do meu país redescobrisse o Brasil. 

Nos últimos anos, multiplicou o número de japoneses, tanto do setor privado como do governo, que visitou o Brasil. Isto faz incrementar os negócios com o Brasil nos meios público e privado, mantendo ocupados não só a nossa Embaixada e o nosso Consulado Geral do Japão em São Paulo, como também os nossos amigos brasileiros.

Esse novo ciclo econômico entre os dois países tem se confirmado em estatísticas econômicas.

Em 2008, o investimento japonês ao Brasil multiplicou em mais de oito vezes, somando 4,1 bilhões de dólares. Isso representa 10% de todos os investimentos estrangeiros a este país. O comércio exterior registrou no ano passado um aumento de mais de 45%, em comparação ao ano anterior.

A cada ano, o Brasil vem galgando posições no quesito interesse das empresas japonesas pelo Brasil.

O despontar do Brasil como país da oportunidade é uma nova tendência que se firma no meu país, superando as amargas experiências dos anos oitenta até a primeira metade dos anos noventa.

Constatamos essa evidência numa pesquisa que o JBIC, ou o Banco do Japão para a Cooperação Internacional realizou com as seiscentas principais empresas japonesas do setor produtivo.

O Brasil, entre os países do mundo  com perspectivas para investimentos japoneses nos próximos anos, ocupou a sexta posição ultrapassando os Estados Unidos

Considerando um investimento a longo prazo, sobe para a quarta, ficando atrás da China, Índia e Rússia; mas na frente dos Estados Unidos e dos países do leste asiático, que por muitos anos eram os principais destinos dos investimentos japoneses.

Por trás desses indicadores da revitalização sustentável da nossa parceria, estão a mudança do Brasil e a consequente transformação qualitativa das relações econômicas entre os dois países.

A relação econômica de outrora com características mais simples, ganha outro formato nesse novo milênio. Os nossos dois países avançam para os chamados setores de ponta para liderar o mundo, fazendo interagir o capital, a tecnologia, os recursos naturais, e também o mercado.

Essas diversidade e interação serão a base para a  parceria com ambição maior do que a do passado: parceria para o desenvolvimento no âmbito global.

E, nesse novo formato de desenvolvimento, quero enfatizar a tecnologia como palavra-chave para o futuro do nosso relacionamento.

Além da alta tecnologia, o Japão tem capital, apesar da crise econômica.  O Brasil por sua vez, possui a grande capacidade de absorver essa tecnologia, de desenvolver a sua própria e adaptá-la às condições de seus vizinhos e demais parceiros.  Somada aos recursos naturais, será o peso-pesado da economia no contexto global. 

Essas vantagens agregadas ao abundante mercado brasileiro serão estratégicas para promover expressivas transformações.

O Brasil já iniciou a transmissão de TV digital pelo  sistema nipo-brasileiro, disponibilizando programas de entretenimento, educação e serviço social, com altíssima qualidade de imagem.

Os nossos países estão engajados num trabalho conjunto na adoção desse sistema nipo-brasileiro por outros países da América do Sul. Nesses países onde estão em estudo os sistemas nipo-brasileiro, americano e europeu, o padrão nipo-brasileiro tem recebido alto conceito.

Recentemente,o Peru decidiu oficialmente adotar o sistema nipo-brasileiro. Se o mesmo for adotado pelos principais países da América do Sul, este dominará o continente, abrindo portas a um gigantesco mercado para as indústrias eletroeletrônica japonesa e brasileira.

Nosso próximo projeto da tecnologia de comunicação consiste no desenvolvimento e difusão da rede de telefonias celulares da próxima geração.

Hoje, três em quatro brasileiros têm acesso ao aparelho celular. O objetivo é colocar à disposição, imagens de alta definição nesses telefones celulares.  

Assim, a cooperação nipo-brasileira na área da Tecnologia de Informação e Comunicação poderá ser o modelo de parceria nas mais expansivas esferas, liderando a tecnologia da telecomunicação no mundo.

Outra área de cooperação cercada de grande expectativa é o projeto do trem de alta velocidade do Japão entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. O Shinkansen japonês, nos seus quarenta e cinco anos de operação, não registrou nenhum acidente com morte.

A sua capacidade de transportar é duas vezes maior do que os similares de outros países. Além disso, é super silencioso e a emissão do gás carbônico é bem menor do que os outros sistemas.

Toda essa supremacia tecnológica no que tange à segurança, capacidade de transporte e meio-ambiente, comprova que o modelo japonês de Shinkansen é o mais adequado ao Brasil.

A experiência e a tecnologia japonesas totalmente aplicáveis num grande mercado como São Paulo e Rio ou em topografias típicas dessas regiões somam-se como outras vantagens.

Tanto o setor governamental como o privado se engajaram num grande esforço para que esse consórcio japonês possa vencer a licitação prevista para o segundo semestre. 

Apesar de toda essa boa perspectiva, as duas economias não estão imunes aos efeitos da crise que ora assola o mundo. No entanto, a desaceleração do crescimento global não diminui o interesse do Japão pelo Brasil. Pelo contrário, vem se intensificando cada vez mais.

Não podemos negar que as empresas japonesas que atuam no Brasil estejam enfrentando grandes dificuldades desde a falência do Lehman Brothers no ano passado.

Com a retração prolongada das economias dos Estados Unidos e da Europa, as muitas empresas japonesas estão apostando na rápida recuperação e no futuro da economia brasileira.

A estrutura econômica do Brasil com um sistema financeiro saudável , sustentada pela demanda interna, tem sofrido danos em proporções menores.

Espero que o governo federal e o Banco Central continuem com as ações vigorosas contra a crise, juntamente com o desempenho do setor empresarial brasileiro, a fim de que a economia brasileira se recupere o mais cedo possível.

Presume-se que o Brasil, dentre as principais economias, deverá ser um dos primeiros a iniciar o processo de retomada do crescimento.

Outro fator que faz aumentar a importância do Brasil é a sua posição como primeiro fornecedor do mundo de muitos produtos; e de ser um dos maiores abastecedores de outros recursos. O preço dessas matérias-primas que sofre oscilações, tenderá a subir, já que, a longo prazo, está evidente o aumento da demanda no mundo todo. Isso coloca o Brasil em situação favorável, diante dos países potentes dos BRICs como a Índia e a China.

Assim, o Japão deposita grande expectativa na força da recuperação e potencial do Brasil; e vários projetos com iniciativa das empresas japonesas atualmente em andamento, deverão ter continuidade. Outros novos projetos também estão em estudo.

Dessa crise, o Japão tira uma lição: alguns especialistas sugerem reconsiderar a alta dependência dos países como os Estados Unidos, da Europa ou do leste asiático e diversificar a parceria com outras regiões e com os países emergentes de grande potencial.

Dentro dessa visão, o Brasil se destaca numa posição infinitamente superior. O Brasil  conta com uma estrutura econômica equilibrada, estabilidades política e social, além da vantagem geográfica como plataforma para se lançar aos países circunvizinhos, da América do Norte e da Europa.

Com relação a África, o Brasil reserva um tratamento especial, sobretudo aos países da língua portuguesa como Angola e Moçambique. O Japão e o Brasil podem formar uma nova parceria nos projetos relativos a esses países, através da cooperação triangular. 

Assim, o Brasil que, dentre os BRICs fora considerado um país distante pelos empresários japoneses por muitos anos, com essa crise, está confirmando a sua posição de superioridade. Tudo isso deverá contribuir para consolidar a parceria Brasil-Japão.

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, em seu discurso feito em abril, afirmou que “os países  que conseguirem transformar a crise em oportunidade terão um futuro próspero”.

O Japão e o Brasil são países que têm essa capacidade. Assim, tenho a certeza de que ambos os países saberão tirar proveito dessa fase para liderar a recuperação econômica do mundo.

Nesse mesmo discurso, o primeiro-ministro Aso fala sobre a nova estratégia de crescimento do Japão.

De todos os  temas em áreas consideradas prioritárias, ele destaca dois, que podem ter relevante significado nas relações nipo-brasileiras.

O primeiro tema é a liderança do Japão com a revolução do baixo carbono. O Japão, que procura o aquecimento da economia sem o aquecimento global, pretende fazer uma reforma no sistema socio-econômico, aproveitando a nova tecnologia.

Na segunda metade dos anos cinquenta, quando o Japão iniciou o seu crescimento econômico, a televisão, a geladeira e a máquina de lavar roupa eram as três necessidades fundamentais para a vida dos japoneses. Foram chamadas de os “Três Tesouros Sagrados”, numa referência aos tesouros que pertenciam ao imperador.

Na sociedade do baixo carbono do século XXI, os novos “Três Tesouros Sagrados” seriam a bateria solar, os automóveis ecologicamente corretos, e eletrodomésticos com baixo consumo de energia.

O governo japonês pretende ampliar a frota dos veículos ecologicamente corretos. A meta é substituir, até 2020, a metade dos carros novos por carros híbridos e outros “eco-cars” como os carros elétricos.

O governo irá fornecer subsídios àqueles que optarem por esses veículos.

Hoje, os carros híbridos têm muita demanda no Japão. Além do Prius da Toyota , muito vendido no Japão e nos Estados Unidos, o recém-lançado Insight da Honda é igualmente o preferido dos consumidores japoneses cada vez mais sensíveis às questões ambientais.

Outro alvo do plano ecológico do governo são os eletrodomésticos. Para estimular a compra dos aparelhos com baixo consumo de energia, será dado ao consumidor um bônus de 5% sobre o valor da mercadoria. Este funciona como um sistema de milhagem das companhias aéreas.

O segundo tema prioritário é “mostrar ao mundo os atrativos do Japão”. Destaco, em primeiro lugar, o turismo. O Japão com tantas maravilhas históricas e culturais pode se tornar um destino muito fascinante para os turistas estrangeiros.

Para atrair mais turistas é preciso uma ampla divulgação, além de melhorar a infraestrutura.

O segundo destaque é a chamada “soft power”, isto é, a força da cultura pop, como animé, mangá, ou moda japonesa. Essa cultura pop, onde o animé e o mangá fazem grande sucesso, ainda tem grande potencial para ser mais explorado e difundido.

Em ambos os temas, existem muitas novas possibilidades de cooperação entre o Brasil e o Japão.

Por exemplo, o Brasil possui um potencial ilimitado na geração da energia solar. Para o Brasil, esta fonte energética é um campo extremamente promissor, pois a energia solar pode ser produzida em qualquer lugar deste vasto território.

Os eletrodomésticos com baixo consumo de energia são outros segmentos de cooperação, à medida que aumenta a demanda da energia devido ao crescimento econômico, em meio à maior consciência ambiental.

O Brasil é um mercado ideal para divulgar os charmes do Japão. Os brasileiros são os maiores simpatizantes do Japão, além de serem grandes apreciadores das coisas boas do país. Portanto, a longo prazo, os turistas brasileiros serão muito importantes para o Japão.

No sentido inverso, os turistas japoneses também são o mercado promissor para o Brasil.

Muitos japoneses da geração do baby boom do pós-guerra, estão se aposentando neste momento, o que deve aumentar o número de turistas japoneses no Brasil. Muitos deles têm tempo e situação financeira confortável, tornando-se assim, um grupo em potencial para o mercado turístico brasileiro.

Principalmente, porque, para uma viagem ao Brasil seriam necessários pelo menos entre dez dias e duas semanas. Uma semana de férias apenas daria para permanecer somente três dias no Brasil.

Quanto à cultura pop japonesa, o Brasil já é um dos principais mercados. Existe um rico mercado de consumo de animé, mangá e cosplay. Quem ainda não sabe o que é cosplay, sugiro que perguntem aos seus filhos ou netos, que, com certeza devem estar bem por dentro.

Nos concursos de cosplay realizados periodicamente no Japão, tradicionalmente, os vencedores são os brasileiros. Uma explicação para esse fenômeno seria a cultura do carnaval, onde os brasileiros são os mestres em criatividade nas fantasias.

O Brasil deverá ser o centro difusor dessa cultura pop, fora do Japão.

Embora a economia japonesa esteja em uma situação muito difícil neste momento, as medidas econômicas acima mencionadas com o montante total superior a 150 bilhões de dólares, juntamente com os três pacotes anteriormente anunciados, deverão conduzir a economia japonesa para a recuperação.

O Banco Mundial fez uma previsão de crescimento negativo de 5,3% da economia japonesa, mas com essas medidas os números serão bem melhores.

A tecnologia japonesa gentil ao meio ambiente é o setor de ponta de liderança no mundo.

Assim como no Brasil, o sistema financeiro japonês não sofreu abalos drásticos com essa crise.

Portanto, espera-se que a economia japonesa, com a sua experiência do passado, trace a curva de ascensão mais rápido do que outros países que no momento enfrentam crise no setor financeiro.

Algumas empresas japonesas aproveitam a queda no valor das ações de outras empresas incluindo as estrangeiras,  para fazer fusão e aquisição. Já as outras empresas investem no melhoramento da capacitação de seus funcionários, quando esses ficam ociosos com a queda da produção, pois consideram a tecnologia peça fundamental do setor produtivo do Japão.

Os mais de 300 mil brasileiros residentes no Japão também sofrem com a crise.

Por isso, sob a instrução do primeiro-ministro Aso, amplas medidas de assistência ao emprego e subsistência desses brasileiros foram publicadas este ano.

O governo do Japão, muito preocupado com a situação vulnerável dos brasileiros trabalhando no Japão, oferece auxílio na busca de emprego, recolocação em empresas, treinamento profissional.

Auxilia também garantir a moradia, disponibilizando habitação pública ou orientando as locadoras no sentido de facilitar na locação dos imóveis.

Há também o apoio à educação dos filhos. Está instalando espaços para preparar crianças a ingressarem escolas japonesas, ou dando aulas àquelas com dificulades na língua japonesa, assim como orientando os estrangeiros na subsistência do dia-a-dia.

E, após todas essas medidas, como último recurso,  foi anunciado o auxílio financeiro para aqueles estrangeiros que, sem emprego, e sem condições financeiras, resolveram retornar ao país de origem, por própria vontade.

Reitero que os brasileiros no Japão não apenas são indispensáveis ao panorama econômico japonês como também são os protagonistas do intercâmbio nipo-brasileiro como profundos conhecedores da sociedade e da cultura de ambos os países.

A contribuição desses brasileiros ao longo de todos esses anos é a outra face da histórica relação dos dois países. O governo pretende continuar se empenhando para garantir a subsistência, o emprego e a educação desses valentes brasileiros.

A economia japonesa com a experiência à qual me referi, mais tecnologia, recursos humanos, conhecimento e capitais, não somente irá superar essa crise como também saberá melhorar a sua estrutura e fortalecer o poder de competição.

Nesse contexto, é de suma relevância que o setor econômico japonês veja no Brasil um parceiro para essa recuperação.

Como disse, vamos encarar a crise como oportunidade para que as relações econômicas bilaterais pós-crise saiam mais fortalecidas. Para tanto, na medida do possível, o governo japonês pretende se empenhar na cooperação de mega-projetos como o trem de alta velocidade do Japão ligando o Rio e São Paulo.

Devemos trabalhar juntos no âmbito da governança global, com ajustes aos novos moldes da sociedade internacional.

Na cúpula do G-20 realizada no início de abril em Londres, ficou evidente o papel cada vez mais fundamental dos países emergentes como o Brasil, a China, e a Índia, neste novo ambiente global. É por isso que volto a reiterar que potencializar as relações com o Brasil, que conduzirá o século XXI deve ser o tema de grande relevância para qualquer país.

Em pouco mais de dois anos e meio de permanência no Brasil como embaixador, vejo me convencido de que o Japão e o Brasil formam a parceria ideal. Não dá para negar a força da integração dessas duas culturas, da dimensão humana e até mesmo a semelhança nos mais surpreendentes aspectos. Esse laço sanguíneo que nos torna especiais, é o diferencial positivo da nossa natural cumplicidade e convivência harmoniosa.

Além dos aspectos econômicos já citados, o Japão e o Brasil são aliados na reforma do Conselho de Segurança da ONU e na conquista da vaga permanente.

Também, seguem aprofundando a relação nos assuntos globais como meio ambiente, desenvolvimento e desarmamento.

Um especialista nas relações nipo-brasileiras comentou que o Brasil e o Japão se unem de forma a se completarem: cada um pode oferecer aquilo que o outro mais necessita.

A atual crise econômica mundial proporcionou um clima favorável para que as relações bilaterais se tornassem ainda mais atraentes que outrora. 

O Brasil e o Japão estão numa ótima fase para a construção dessa nova parceria e, com essa robusta cooperação brevemente sairão da crise, e ainda irão contribuir para a recuperação da economia global. 

Nesse sentido, preciso reconhecer que estou em situação privilegiada por ser embaixador no Brasil.

O êxito do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil criou excelentes condições para impulsionar ainda mais as relações nipo-brasileiras. O laço entre os nipo-brasileiros e os não-descendentes se estreitam como nunca; surgem jovens descendentes no papel de pontes humanos ligando os dois países, dinamizando a sociedade nipo-brasileira.

Todo esse resultado é um valioso legado da história de sucesso desses dois grandes povos.

A animosidade do centenário, gostaria que fosse passada também para o aniversário dos Oitenta Anos da Imigração Japonesa na Amazônia.

Convido a todos os presentes e outras entidades para juntos, homenagearmos os bravos imigrantes que desbravaram e ajudaram no progresso da região. Convido a todos para comemorarmos mais essa conquista dos pioneiros e compartilharmos a alegria de todos estarem integrados no coração verde da gigantesca Amazônia.

Estou confiante que as relações nipo-brasileiras terão um futuro brilhante, pois não existe no mundo, um relacionamento bilateral com tamanho potencial e afinidade.

Muito obrigado pela atenção".

 

Ken Shimanouchi, embaixador do Japão no Brasil.

(Discurso da palestra realizada no dia (13/05), na sede da Fiesp, em São Paulo)

 

 

Embaixador Ken Shimanouchi (foto: Rubens Ito / CCIJB)

 

 

 

 

 

 

 

 

 CCIJB - 16/06/2009



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