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Comentário — Série de Ano-Novo: Perspectivas para 2018 na política japonesa (1º) 01/01/2018

Nesta primeira edição da série de Ano-Novo do Comentário, o jornalista Yoshimasa Adachi, da NHK, fala sobre as perspectivas para 2018 na política japonesa.

“Este tema resume-se a uma questão. Trata-se de saber se o governo do primeiro-ministro, Shinzo Abe, continuará a não encontrar pela frente um rival à altura, com a oposição dividida em flancos também ao longo de 2018. Um prognóstico razoável é de que este ano a política do Japão venha a girar em torno da eleição para a presidência do Partido Liberal Democrático (PLD), programada para setembro.

Desde que assumiu pela segunda vez o cargo de presidente do PLD, Abe venceu cinco eleições consecutivas para o Parlamento. A mais recente vitória foi a do ano passado para a Câmara Baixa. O secretário-geral do partido, Toshihiro Nikai, já manifestou apoio a uma reeleição de Abe para um terceiro mandato no comando da legenda. Em pesquisa de opinião feita em dezembro pela NHK, o atual ministério japonês teve 48,7% de aprovação do público, um índice relativamente elevado. Alguns políticos do PLD preveem que, se não houver alteração no quadro político nacional, Shinzo Abe poderá ser reeleito para um terceiro mandato como presidente do partido.

Cogitam-se de vários nomes como candidatos alternativos a Abe, incluindo os que manifestam interesse de concorrer ou os que são recomendados por outros. Expressam determinação de candidatar-se à presidência do PLD o ex-secretário-geral da agremiação Shigeru Ishiba e a ministra do Interior e Telecomunicações, Seiko Noda. E alguns políticos do PLD insistem em que concorra ao cargo o presidente do conselho político da legenda, Fumio Kishida. A movimentação interna provavelmente vai chegar ao auge a partir do final de junho, quando deverá se iniciar o recesso no período legislativo ordinário do Parlamento.

Também deverão ter especial importância as discussões sobre emendas à Constituição do Japão, em relação às quais o primeiro-ministro demonstra grande entusiasmo.

Originalmente, o PLD pretendia finalizar a sua proposta antes do encerramento de 2017. Contudo, políticos do partido exibem pontos de vista divergentes em discussões sobre o artigo 9º da Constituição do Japão. No ano passado, o premiê propôs a inserção de referência à existência das Forças de Autodefesa. Pela proposta de Abe, ficariam inalterados o primeiro parágrafo do artigo 9º da Constituição, sobre a renúncia ao direito de guerrear, e o seu segundo parágrafo, sobre não possuir poderio bélico. Contudo, Ishiba e outros membros do PLD opuseram-se à proposta. Argumentaram que seria uma contradição teórica fazer referência clara à existência das Forças de Autodefesa sem eliminar da Constituição a estipulação de não possuir poderio bélico. A questão é saber se os políticos do partido governista poderão chegar a acordo em conformidade com a proposta de Abe. Aliás, mesmo que haja acordo, o PLD terá de coordenar ideias com o partido Komei, seu parceiro de coalizão, que se mostra altamente cauteloso quanto a uma modificação do artigo 9º. Tão logo sejam removidos os obstáculos, a questão deverá seguir para discussões no Parlamento. Mais um ponto de atenção é se a executiva do Partido Liberal Democrático será capaz, como pretende, de dar início este ano a discussões no Parlamento sobre emendas à Constituição.

O Partido Democrático fragmentou-se na eleição do ano passado para a Câmara Baixa. No Parlamento, as principais legendas de oposição ficaram sendo o Partido Democrático, o Democrático Constitucional e o Esperança. O Partido Democrático demonstra interesse em alinhavar uma recomposição com o Democrático Constitucional e o Esperança, numa reaproximação que é rejeitada, porém, pelas duas legendas. Indaga-se de que modo poderá fazer frente à coalizão governista uma oposição tão dividida, integrada também pelo Partido Comunista e pelo Partido da Inovação. Também para as siglas de oposição 2018 deverá apresentar grandes desafios.” (da NHK World) 



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