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Brasil vive um grande momento, afirma Octavio de Barros 12/03/2010

O diretor de Pesquisas Macroeconômicas e economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros disse, durante Confraternização dos Associados, que o Brasil vive o seu melhor momento, com a recuperação da imagem como um país emergente em franco desenvolvimento. "Dez anos atrás ninguém acreditava no Brasil como potência regional. O Brasil está se tornando mais previsível. As Olimpíadas em 2016 são a expressão de que o país ganhou maturidade diante do reconhecimento mundial do seu papel na economia e na geopolítica. O Brasil vai viver nesses próximos 20 anos o maior ciclo de crescimento desde a era de Juscelino Kubitschek."

O economista iniciou sua apresentação citando duas célebres frases: "A previsão é muito difícil, especialmente sobre o futuro", de Niels Bohr, físico dinamarquês e prêmio nobel e "Os eventos podem mover-se do impossível ao inevitável, sem nunca parar no provável", de Alexis de Tocqueville, pensador político, historiador e escritor francês.

Octavio de Barros destacou o papel dos emergentes no cenário mundial, observando que o "capitalismo vibrante" está localizado nesses países, que vêm abocanhando cada vez mais espaço na economia global. "A crise mundial afetou muito o consumo. Há uma recuperação da economia, não como nos anos dourados de 2004 a 2007. Essa recuperação não vem de países ricos. Contudo, de países emergentes, inclusive do Brasil. É muito parecido com os anos dourados e voltados recentemente ao mercado doméstico. A economia se desloca da Europa e Estados Unidos para a Ásia e emergentes. A China, grande locomotiva da economia mundial, terá seu PIB em 2021 superando o americano. Algo incontornável. 85% da população da Terra vivem em países emergentes. A saída da crise pelos países emergentes tem um dinamismo muito maior, produção industrial muito grande. Os países emergentes apresentam crescimento muito maior do que os países ricos. Em breve as vendas de automóveis será maior nesses países. De 2001 para cá, 50% das exportações dos emergentes são direcionados para os próprios emergentes. No Brasil, isso chega a 60%. O peso nas exportações desses países cresce e de forma espetacular. Os Estados Unidos exportam cada vez mais aos emergentes. O mesmo ocorre com o Japão."

No discurso durante o evento da Câmara, o economista fez referências às previsões macroeconômicas do banco para este ano. "O Bradesco prevê crescimento de 4% para a economia mundial e países desenvolvidos 2%. O ajuste no balanço de pagamentos está indo muito bem na economia americana. As exportações aumentando, deficit próximo a zero. O desequilíbrio entre Estados Unidos e China tende a cair. O superavit chinês vai diminuir. O inferno astral de Barack Obama está terminando. As exportações se recuperando, inflação aumentando, sinal de recuperação da economia no mundo e nos países emergentes. O dólar não vai continuar a cair. A tendência é de se fortalecer um pouco mais. O Japão, com problemas demográficos, envelhecimento da população, tem aumentado as exportações para a China. A China crescendo 9,4%; Rússia 4,7%; França 1,8%; Índia 8,5%; Itália 1,3%; Coréia do Sul 5%; Espanha 0,3%, Reino Unido 1,5%. O Brasil vai crescer 6% neste ano, viés para cima, média nos próximos anos de 4,68% sem reformas e 6% com reformas. Somos céticos em fazer reformas no Brasil. Crescimento médio do preço das commoditites de 20% aproximadamente. Petróleo, 86 dólares o barril. O Brasil será o terceiro no mundo em crescimento, perdendo apenas para a China e Índia. O preço relativo das commodities cresce muito mais do que os produtos manufaturados. Aquele processo acentuado da valorização do real vai se estabilizar. A moeda brasileira se ocilará em relação ao dólar entre 1,70 a 1,75 neste ano eleitoral, viés para baixo. Este ano cresce mais do que crescemos, vai haver uma pressão inflacionária. Para o Bradesco, os investimentos em 2010 serão da ordem de 21,10% (principalmente cimento e máquinas). 5,3% de inflação, acima da meta de 4,5% em 2010. IGPM de 7%. Deficit externo o terceiro maior do mundo, evidência de que estamos crescendo mais do que deve, atrás de Estados Unidos e Espanha."

Sobre o Brasil no contexto da América Latina, Octavio de Barros teceu os seguintes comentários. "No tocante ao grau de abertura (exportações mais importações) dos países da região, o Brasil tem 22%, relativamente fechado. O país possui o maior volume de reservas internacionais (metade de todos). Os países da América Latina são global traders (diversificação no comércio exterior), exceto o México, que tem como principal parceiro os Estados Unidos. Mas o comércio intrarregional é muito pequeno (17%, 16%). Na Ásia 56% são interasiáticas. Na Europa, 59% intereuropeu.

Quanto ao Brasil e a América Latina em relação à China, ele fez as seguintes análises. "A China detém 10% de todo o consumo de bens e serviços do mundo. Brasil e América Latina devem aproveitar esta situação atual favorável, mas têm que se preparar o pós-China. Hoje a China é o maior parceiro econômico do Brasil, passando os Estados Unidos. As exportações e importações da América Latina crescem. O peso das exportações e importações da China na América Latina cresce e o Brasil ganha market share na China. O preço relativo das commodities cresce muito mais do que os produtos manufaturados. Estamos esperando uma valorização de 2,5% do yuan (moeda chinesa), neste primeiro semestre. Todos os países que dependem das exportações para a China vão ter suas moedas valorizadas."

Barros destacou as transformações sociais que vêm ocorrendo no país nos últimos anos. "O Brasil constitui a maior rede de proteção social entre os países emergentes. Vários programas: de previdência social, assistenciais, seguro-desemprego, bolsa família. Isto é notável, não vai mudar. O Brasil tem uma mudança social impressionante. Hoje os pobres constituem 15% da população. Caiu significativamente. Metade da população brasileira é composta pela classe média. Maior acesso ao crédito, número de filhos por mulher caindo. Isso é qualidade de vida. Crescimento vegetativo de 1% (cresce até 2050). Anos de educação muito abaixo da média asiática, mas em dez anos será investido muito. No aspecto mobilidade social, nove milhões que deixaram as classes D e E, ingressaram para as classes C e B. Desemprego em queda (2010 menor taxa desde que os dados existem."

Ao encerrar o seu discurso, bastante aplaudido pelos presentes, Octavio de Barros lembrou as sábias palavras do escritor e poeta francês Vitor Hugo, numa frase muito expressiva. Vitor Hugo disse: "Nada mais poderoso do que uma ideia cujo momento tenha chegado". Baseando-se nesta frase, o economista observa que "o Brasil como país emergente e com democracia aprofundada, essas ideias chegam para que alguns avanços aconteçam (...) Eu sou cético, apesar disso digo ainda que o Brasil continua sendo um bom lugar para ganhar dinheiro. Um país emergente, que ainda tem um grande potencial de crescimento".

Octavio de Barros tem mestrado pela Universidade de Paris I-Sorbonne e doutoramento pela Universidade de Paris X Nanterre. Ocupa e ocupou diversos cargos de destaque no setor público e entidades privadas. É também autor de dezenas de artigos no Brasil e no exterior e dos livros “Brasil Globalizado” e do recém-lançado “Brasil pós-crise: agenda para a próxima década”, em coautoria com o economista Fabio Giambiagi.

O encontro que aconteceu no dia 12 de março, em São Paulo, contou com a presença do presidente da Câmara, Tatsuo Nakayama; do cônsul-geral do Japão em São Paulo, Kazuaki Obe; do presidente de honra, Makoto Tanaka; vice-presidente Masaki Kondo; conselheiros; diretores; membros-associados e convidados, num total de 102 pessoas.

PDF anexo: Apresentação da Palestra

Rubens Ito / CCIJB

 

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Octavio de Barros (fotos: Rubens Ito / CCIJB)

 

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Após sua palestra, Octavio de Barros recebe placa de homenagem do presidente Tatsuo Nakayama.

 

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Octavio de Barros (diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco), Tatsuo Nakayama (presidente da Câmara) e Kazuaki Obe (cônsul-geral do Japão em SP)

 

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Makoto Tanaka, presidente de honra da Câmara; Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco; e Tatsuo Nakayama, presidente da Câmara.

 

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Nobuo Yamazaki (Bradesco), Masaki Kondo (Mitsubishi Corporation do Brasil), Makoto Tanaka (presidente de honra), Takanori Suzuki, Kazuaki Obe (cônsul-geral), Octavio de Barros (Orador principal / Bradesco), Tatsuo Nakayama (presidente da Câmara) e Fujiyoshi Hirata (secretário-geral)

 

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Mais de 100 membros-associados prestigiram o evento da Câmara.



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