Câmara do Japão
Japonês
Buscar: OK

Tópicos

 

 

 

 

 

 

(427)Você está em:
  • Home »
    • Câmara
      • » Notícias da Câmara

Notícias da Câmara

Selecione datas para filtrar: a OK
Zeina Latif fala sobre o cenário econômico brasileiro 19/06/2019

O tema “Reflexões sobre o cenário econômico” foi abordado na quarta-feira (19), em São Paulo, pela economista, Zeina Latif. A palestra foi na Confraternização dos Associados da Câmara. Hoje ela é economista-chefe da XP Investimentos. 

A palestra atraiu para o evento mais de 160 pessoas, entre empresários, executivos e demais autoridades. Também participaram da solenidade o presidente Toshifumi Murata, o cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, Walter Ihoshi, presidente de Jucesp, e o secretário-geral Fujiyoshi Hirata.

Profunda conhecedora da economia brasileira, Zeina Latif é uma das mais respeitadas palestrantes hoje no Brasil. Tem mestrado e doutorado em Economia pela USP. Antes de ser a economista-chefe da XP Investimentos, ela teve passagem por várias instituições financeiras, como o Royal Bank of Scotland, ING, ABN-Amro Real e HSBC. É colunista do jornal "O Estado de S. Paulo" (Estadão).

Zeina Latif (Fotos: Rubens Ito / CCIJB)

E a seguir, os principais trechos do seu pronunciamento: 

"A irresponsabilidade na condução da política econômica fez os resultados fiscais do país, um país que tinha um superávit orçamentário na casa dos 3% do PIB foi para um déficit de quase 3% do PIB, mais de 2%. Além disso, essa grave crise fiscal também entra em reflexo o fato de sermos uma sociedade que está envelhecendo rapidamente. O IBGE no ano passado mostrou que foi o último ano do bônus demográfico do Brasil, o que significa que daqui para frente vamos ter mais pessoas, o crescimento da população com mais de 60 anos de idade vai ser superior ao crescimento populacional. Então, o bônus demográfico se foi. O Brasil está envelhecendo. Quando comparamos o Brasil com economias vizinhas, o nosso crescimento tem sido mais rápido. Mudança de costumes muito mais forte no Brasil.

Na década de 60 as mulheres tinham em média seis filhos, ou seis e alguma coisa. Hoje, 1,7 filhos. Ou seja, não repõe o casal. E para dar uma cor assim para a questão social, as mulheres da elite tendo menos filhos, um filho mais ou menos, 1,2 é o número. E as mulheres das classes mais populares tendo mais filhos. Então, dá um componente social para esta questão. Além disso, apesar da lenta evolução dos nossos indicadores, tivemos avanços importantes. Isso faz com que o brasileiro hoje viva mais. Aquela pessoa que conseguiu passar pela barreira da adolescência. Muitos jovens perdem suas vidas no crime. Aquela pessoa que passou por suas barreiras, barreira da morte de crianças, de adolescentes, consegue atingir 80, 85 anos em média. E cada vez mais vemos pessoas já caminhando ali para os 100 anos de idade. É de fato um envelhecimento rápido. Isso pressiona as nossas contas públicas por causa da Previdência.

Para vocês ter uma ideia, o Brasil gastou no ano passado mais de 14% do PIB com Previdência. Quando somamos o regime geral do setor privado e setor público nas três esferas de governo, esse patamar distoa da experiência internacional. É muito elevado quando a gente leva em consideração que estamos envelhecendo, mas ainda somos um país jovem. O Japão é três vezes mais velho do que o Brasil quando se leva em consideração a participação da população idosa. E mesmo assim gasta não mais do que 10% do PIB com Previdência. Esses 14% do PIB vão crescendo em ritmo acelerado nos próximos anos por causa da curva demográfica. O problema é que hoje o orçamento do governo federal, dos estados, já está bastante comprometido com a Previdência. Hoje o dinheiro acabou. No caso do orçamento federal, 60% do orçamento são comprometidos com a Previdência. E há outras despesas obrigatórias. A nossa Constituição gerou um grande engessamento do nosso orçamento. O que acontece quando se leva em consideração gastos com Previdência, gastos do funcionalismo, saúde, educação, segurança, gastos previstos na Constituição quase a totalidade do orçamento público está comprometido, quase a totalidade das receitas tributárias está comprometida.

Precisamos urgentemente dessa reforma, não só pelas consequências nas contas públicas, na oferta de serviços públicos, e a propósito essa realidade para os estados é muito dura. Os estados no Brasil estão quebrados. Uns mais, outros menos, mas todos enfrentando o desafio do crescimento de inativos, de gastos com a Previdência. E a outra consequência é no ambiente macroeconômico. Sem uma reforma da Previdência, a dívida pública do Brasil como proporção do PIB só vai fazer crescer. Hoje ela já destoa na comparação com países emergentes. Por isso que o Brasil perdeu o grau de investimento. Está há duas notas abaixo do grau de investimento. E essa dívida só vai crescer. E a gente tem ainda nos próximos anos essa dívida na casa de 80%, quase aí vindo na casa dos 100%. E obviamente que isso vai trazer consequência do ponto de vista do comportamento da inflação, das taxas de juros.

Em cenário sem a aprovação da reforma da Previdência, o Brasil aos poucos irá caminhar para um quadro de volatilidade macroeconômica. E a gente pode voltar a viver aquilo que observamos durante a gestão Dilma, que a gente não sabia para onde ia o dólar, para onde ia a inflação, para onde ia a taxa Selic do Banco Central. E obviamente, o próprio comportamento do PIB. Como eu disse, esse cenário em que a reforma alguma é aprovada, a gente vai caminhando para um cenário como esse de colapso, eu acho pouco provável. Eu diria que a razão principal é porque tivemos uma mudança de debate econômico muito importante no Brasil. E esse foi um legado do governo anterior.

O governo Temer, apesar de baixa taxa de aprovação na sociedade, um presidente que não chegou a nem 10% de aprovação, ficou ali em torno de 5%, foi um governo muito importante pela finalização da política econômica que foi feita, pelas reformas que foram iniciadas. Vamos lembrar que o Brasil não estava tendo reformas estruturais desde a crise do mensalão, aquele escândalo de corrupção que foi revelado em 2005. Desde então o Brasil não tinha reformas a favor do crescimento econômico sendo aprovadas. O governo Temer conseguiu retomar essa agenda de reformas e também a mudança do debate, de tal forma que até na nossa campanha eleitoral no ano passado, que não foi muito boa. Não foi boa. Mas pelo menos ninguém negou a necessidade de uma reforma da Previdência.

O que estou falando para vocês é que a classe política no Brasil reconhece que a reforma é urgente. As lideranças políticas reconhecem e podem acreditar que sem a reforma o Brasil vai ter um quadro econômico muito mais grave, de colapso. E nessa situação não há vencedores. A gente vai continuar tendo outsiders na política. Então é um quadro em que não há vencedores. Estas discussões tivemos até no mês passado. Será que Bolsonaro vai até o final do mandato? Será que não vai ter a aprovação das reformas para ter protestos? Esse cenário acho muito pouco provável.

Acho provável a gente ter um presidente com baixa aprovação adiante, mas com a economia de alguma forma avançando. É interessante notar que a sociedade, que a economia é o ponto central para gente avaliar a sustentabilidade de um presidente. Vamos ter a reforma da Previdência. Ela começou a tramitação no Congresso. A gente ainda não sabe se vai ter aprovação no primeiro semestre deste ano na Câmara dos Deputados ou no segundo. A visão de nossos analistas de política na XP é que seria no segundo semestre. Mas seria aprovada. Essa reforma é uma reforma tímida. Esse primeiro trabalho do relator é um bom trabalho, já desidratou um pouco. Aquele impacto de 1,2 trilhão já foi para 860 bilhões. Claro que se ela for adicionalmente desidratada outras medidas de ajuste fiscal vão ser necessárias. 

Mas é ponto importante para se colocar aqui é que essa ideia que muitas vezes infelizmente o próprio governo alimentou de que fazendo uma reforma da Previdência vai sobrar dinheiro e o país vai voltar a crescer, isso não é verdade. O primeiro ponto é que mesmo que fosse aprovada na sua potência fiscal máxima, isso não faria sobrar dinheiro. Isso faz conter o crescimento dos gastos com a Previdência como proporção do PIB. Em termos absolutos os gastos vão continuar crescendo. A questão é não deixar crescer como proporção do PIB.

A segunda questão é o crescimento. Parece-me razoável esperar que com a aprovação da reforma da Previdência, podemos ter uma melhor confiança das empresas. É possível que alguns projetos de investimentos sejam destravados, mas não é isso que vai fazer o Brasil crescer de uma forma mais sólida e consistente. Outras reformas vão ser necessárias. Principalmente em destravar os investimentos. E a gente precisa correr com essas reformas.

O Brasil está envelhecendo e o mundo a gente não pode perder de vista. É cuidar dos nossos jovens. Nós temos hoje número máximo de jovens na nossa sociedade. Esse número em termos absolutos já iniciou uma trajetória de queda e coincide, claro, com o fim do bônus demográfico e esses jovens no Brasil estão defasados. Ao olharmos os indicadores de educação no Brasil, eles são muito preocupantes. Nossos alunos no ensino médio 70% não sabem conceitos básicos de matemática. Não conseguem avançar além do nível 2 daquele exame Pisa, que é um exame internacional. 70% não conseguem avançar além desse patamar. Jovens que chamamos de analfabetos funcionais. Não conseguem interpretar um texto. Desse grupo de 15 a 29 anos nós temos ali uma parcela significativa, 23% em 2017, de jovens que nós chamamos de "nem nem", nem trabalha e nem estuda. Quer dizer que a escola não está conseguindo reter e aqueles que passarem pela escola conseguiram estar preparados para o mercado de trabalho.

Enquanto o mundo discute tecnologias disruptivas (inovações tecnológicas), indústria 4.0, nossos jovens aqui não têm capital humano, não têm formação suficiente. 65% dos nossos jovens que já saíram do ensino médio não têm formação nem técnica, nem acadêmica. Então, esses são as metas que o Brasil precisa correr. Alguns avanços ocorreram no governo anterior, mas o Brasil está muito atrasado. Para falar em crescimento econômico de longo prazo, claro que esses são pilares bastante importantes.

A economia, esse segundo motivo de preocupação, primeiro a grave crise fiscal que exige a aprovação das reformas, não há mais espaço para aumentar a carga tributária. Há uma questão é que a economia está muito enfraquecida. Ainda não superamos todos as dificuldades causadas pela grave recessão. Uma forma de enxergar isso é o comportamento da produção industrial no Brasil em relação ao resto do mundo, em relação às economias emergentes. É claro que o Brasil sendo um país com indicadores preocupantes o certo é que crescesse na linha com os emergentes. Mas infelizmente o nosso potencial de crescimento é mais baixo, porque somos um país que enfrenta muitos gargalos, muitos obstáculos ao crescimento. Mas pelo menos o Brasil vinha acompanhando o mundo como já havia colocado.

E aí tivemos diante de tantos equívocos na gestão Dilma, em várias frentes. E não por falta de aviso. Havia alertas de que era necessária mudar a política econômica. Infelizmente não foram ouvidas, e o resto da história vocês sabem. A produção industrial no mundo seguiu sua tendência de alta e o Brasil a gente viveu essa grave crise.

O governo de Michel Temer conseguiu em 2016 estancar a recessão, trazer uma agenda consistente de reformas, e isso ajudou a trazer alguma confiança para os empresários. Em 2017 começamos a haver uma recuperação da indústria e em 2018 tivemos um grande susto que foi a greve dos caminhoneiros. Desde então, a gente observa que a indústria está praticamente estagnada, senão até uma leve tendência de queda, eu diria estagnada pelo menos. E isso é muito grave. A indústria é o setor mais sensível ao custo Brasil.

A carga tributária mais elevada. Junto com essa carga tributária nós temos toda complexidade do nosso sistema tributário, que faz a vida do empresário um inferno no Brasil. Toda a cumulatividade de impostos, a estrutura cumulativa de tal forma quanto mais longa a cadeia produtiva maior é o imposto, e portanto, menos competitivo é o setor. E toda a insegurança jurídica relacionada à questão tributária. Regras tributárias que mudam a toda a hora, sem critérios. E também trazendo muita insegurança para os empresários.

Para vocês terem uma ideia, só no nível federal, o contencioso tributário no Brasil está na casa dos 12% do PIB. Imagina quando a gente leva em consideração o ICMS em que o contencioso é maior ainda. Estamos falando aqui de um peso muito grande nos ombros do setor produtivo. 

Precisamos obviamente avançar nossas agendas para a economia começar a respirar novamente e precisa correr. Precisa correr com a agenda. Aqui começam as minhas maiores preocupações em relação ao governo, porque vejo que apesar de ter pontos positivos, a proposta de reforma da Previdência, a agenda do ministro da Infraestrutura, com as concessões que foram feitas. Já foram se não me engano 24 leilões de concessões de infraestrutura. Mas o que a gente observa é uma ausência, pouca definição de uma agenda pró crescimento, uma agenda de longo prazo. As discussões de reforma pós previdência são muito incertas, muito soltas, e isso vem assustando o empresariado.

A gente observa que passada a eleição presidencial teve de fato um aumento da confiança dos empresários, mas desde o início do ano, uma certa decepção com os primeiros passos do governo. Aqui falando bem honestamente com vocês, vocês observam dos empresários é que cada vez que abrem o jornal, vêem declarações inadequadas do presidente. O presidente perdendo foco daquilo que é mais importante que é a economia. Isso gera de fato muita preocupação. E aquele empresário que já ia aumentar contratações, fazer investimentos, na confiança de uma agenda econômica, eu percebo uma postura mais conservadora. Diferente de 2016, no governo Temer, interrompendo a recessão mesmo as reformas não sendo aprovadas. Vejo um certo desânimo, por isso que é muito importante que o governo rapidamente recupere a própria questão da reforma da Previdência, entrada para o setor produtivo que é exatamente a agenda. 

O Brasil, é possível que o nosso potencial de crescimento, o Brasil pode crescer, dada a sua infraestrutura, dado o seu parque industrial, a tecnologia, a qualidade da mão de obra, é possível que a gente não tenha potencial hoje maior que 1%, 1,5%. Foi 3,5% em média no governo FHC e no de Lula, que não é grande coisa, mas pelo menos é um número um pouco mais positivo em linha com o mundo. Hoje provavelmente é muito baixo, depois de tantos equívocos na locação de recursos públicos, políticas econômicas equivocadas.

Aumentar o nosso potencial de crescimento depende obviamente de destravar a produtividade de nossa mão de obra, que está em torno de 25% da produtividade do trabalhador americano e praticamente estagnada desde a década de 80. O que é que faz a nossa produtividade ser tão baixa? Uma que já disse é a qualidade de mão de obra, mas sem dúvida o fator essencial para explicar esse resultado é o difícil ambiente de negócios no Brasil.

Tanta complexidade de regras do jogo, regras que mudam a toda hora. E aqui com todo respeito aos advogados e aos contadores, mas a gente estava pensando nas empresas de terem mais engenheiros e pessoas de tecnologia. Hoje o empresário tem de dedicar ali esforços de capital, enfim, para acompanhar essa locura que é o Brasil e deveria estar investindo em gestão das suas empresas, em tecnologia, em treinamento da mão de obra, tudo isso, esse tal de custo Brasil, faz com que a nossa infraestutura seja pouca, de baixa qualidade e é mais um fator também atrapalhando a vida do empresário. 

Tudo isso para dizer que não é uma medida ou outra que vai fazer o Brasil acelerar o crescimento. São várias as iniciativas. Mas o que eu diria que passada a reforma da Previdência eu diria que prioritariamente deveria ser conduzida uma reforma tributária para a simplificação do sistema. Não é possível ainda reduzir a carga tributária no Brasil, diante de gastos que crescem automaticamente. Mas simplificar já seria um grande passo. E aqui eu remeto a um fato que na verdade é um ponto de política, que é mais fácil aprovar a reforma. Não é apenas a boa vontade do presidente. É necessária muita capacidade de negociação, de articulação no Congresso. E o Brasil a vida no Congresso não é fácil. Muitas vezes nós colocamos a culpa no Congresso, mas esquecemos da nossa irresponsabilidade (dos brasileiros). O Brasil é um país complexo, com várias clivagens regionais, setoriais, sociais. Toda essa complexidade acaba reverberando no Congresso. Os interesses são muito distintos. E nós como sociedade reagindo mal às reformas. A gente reage mal. A gente tem medo da mudança. E ainda para complicar, temos um sistema político que é desafiador. São muitos partidos. Muito diferente dos Estados Unidos que têm dois grandes partidos, que defendem pautas nacionais. É muito mais fácil o diálogo, é muito mais fácil obter consensos. Aqui não. A gente tem ali em torno de 30 partidos no Congresso com suas pautas paroquiais e não pautas nacionais. Os que têm pautas nacionais PT, MDB, PSDB estão em crise. Então é muito mais difícil para o presidente conseguir ter apoio no Congresso. Por isso o tal do presidencialismo de coalizão que é essa necessidade de negociação política com troca de apoio, que não se confunde isso com corrupção. É da regra do jogo para conseguir. Acho que o presidente andou falhando. Na hora que o presidente criminaliza a política, muito mais difícil conseguir esses acordos. Percebo que o Congresso tem avançado nas agendas, apesar da pouca capacidade de articulação do governo. Temos que correr.

Nós estamos tendo criação de empregos ainda muito tímida no Brasil. Temos 25%, 1/4 da nossa força de trabalho ou está desempregada ou está subocupada, está menos trabalhando do que gostaria, ou está em desalento, ele até quer trabalhar, ele não procura emprego porque acha que não vai conseguir nada. Temos hoje uma geração de jovens praticamente perdida. Aquele que quis aprender e não aprendeu na hora certa, não arrumou emprego que tinha que arrumar na hora certa por causa da grave crise, entra no mundo do crime, e aí é muito mais difícil esperar. 

Esse tempo de urgência por todas essas questões aqui que eu trouxe para vocês, é isso que vejo faltar no presidente Bolsonaro. Não vejo o presidente compreender o tamanho do seu desafio. Não vejo a linha do presidente reformista. O ministro da economia é reformista. E tem pessoas ali sérias trabalhando no governo como o próprio ministro da infraestrutura (que já comentei aqui). Mas eu não vejo de uma forma geral uma agenda de governo robusta, estruturada, que a gente saiba para onde está indo, quais as prioridades. Não vejo ainda coisas concretas. Não quer dizer que não vão amadurecer.

Mas hoje estamos num quadro de indefinição. Esse ano não vamos ter um ano razoável de crescimento. É um ano difícil. As empresas passam por dificuldades financeiras. Aquelas que tem capital aberto nas bolsas, aquelas de capital aberto nas bolsas, mercado de capitais. Mas as médias empresas, que sofrem ali o dia a dia do custo Brasil, vão ter que ter paciência ainda. Não é um ano de arrancada. A economia está praticamente estagnada. Isso é perigoso. Deixa o país muito vulnerável a acidentes de percurso, a choques. A nossa economia é o paciente que ainda está na UTI do hospital. Os sinais vitais são mutáveis. E aí acho necessário que o ministro da Economia, a Casa Civil, enfim, rapidamente defenda uma agenda econômica para passar a reforma da Previdência, porque ela não vai resolver esses nossos gargalos todos. Não é isso que vai aliviar a vida dos empresários. Apesar, claro, ajuda um pouco na melhoria da confiança. 

Apesar disso, aqui vai a boa notícia, o Brasil vem passando por testes importantes de maturidade. O primeiro ponto, ainda que controversa, mas que acho que foi muito importante, a sociedade agir e falar: a presidente Dilma vai ter que sair. O impeachment trouxe uma instabilidade política é verdade. Rachou o país é verdade. O custo existe. Mas mostrou que a sociedade não tolera o colapso da economia. Então o recado foi: olha presidente. Não brinque com a economia, porque, quem faz isso não termina o mandato no Brasil. A nossa classe política penso que entendeu. Aliás, na época da Dilma, nós sabíamos disso. O problema que Dilma lhe faltava uma sabedoria aí. O segundo ponto, o governo Temer com baixíssima credibilidade, mas as pessoas não foram às ruas protestar contra a política econômica. Não houve protestos 'fora Temer' como houve com a Dilma. Teve aí um sujeito ali, outro aqui. Mas protesto contra a reforma da Previdência, que era o plano do governo, contra a reforma trabalhista, não. Presidente com baixa popularidade e a sociedade foi cuidar da vida. Não saiu às ruas para protestar. Também foi um teste de maturidade do país.

Temos agora uma renovação de política. Na economia não é para ter renovação nenhuma. É para simplesmente dar continuidade ao que já foi iniciado. Já foi iniciado. Com esse novo presidente que entrou e pegou o país no zero. Não. A agenda econômica está muito mais delimitada. Inclusive, muitos projetos que foram legados do governo anterior podem dar continuidade como marcos regulatórios do setor de energia, de delimitação do poder de agentes reguladores, reforma tributária. Então, não é que esse governo começou do zero. Lembremos de um presidente sem experiência, com pouca habilidade política e isso cobra o seu preço. 

Então, isso finalizando a minha mensagem para vocês, é que deve ter razões ou uma postura confiante em relação ao Brasil? Sim. Por causa desses testes de maturidade que o país tem passado e um debate econômico hoje muito mais maduro. Disso nós sabemos. Se fizer um diagnóstico daquilo que tem de ser feito, hoje os diagnósticos são bem mais claros. É claro que confiança sim. Mas o Brasil é Brasil. Pés no chão. Vejo na gestão das finanças, eu digo isso aos empresários, aos gestores, eu sou de uma casa de investimentos, a vocês que administram os seus recursos: bom senso. Até que o Brasil consiga voltar a crescer em nível no mundo e isso não vai ser fácil. O Brasil vai estar sujeito à volatilidade. A tal greve dos caminhoneiros no ano passado foi tão grave. Senão, talvez, o Brasil estivesse crescendo 3%. Então é isso pessoal. É um meio do caminho assim. De um lado, com confiança. Mas do outro, prudência, bom senso. Aquela frase do poeta: o Brasil é para profissionais. Não é um país fácil. É isso. Agradeço a vocês!"

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, recebendo placa de agradecimento do presidente Toshifumi Murata

Walter Ihoshi destaca estrutura e funcionamento da Jucesp

Logo após a palestra da economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, aconteceu a apresentação do presidente da Jucesp (Junta Comercial de São Paulo), Walter Ihoshi.

Ihoshi destacou informações sobre a economia paulista e as oportunidades de investimentos no Estado. Fez uma apresentação do perfil institucional e estrutura da Jucesp, suas principais atividades, números da autarquia, entre outros assuntos.

Walter Ihoshi, presidente da Jucesp

Segundo Ihoshi, uma das metas do governador João Doria seria desburocratizar a Jucesp, para "melhorar o ambiente de negócios aos empreendedores paulistas e do Brasil". 

Destaque para a Jucesp Online, sistema que simplifica e facilita o acesso às informações e serviços da Junta, permitindo o acesso a fichas e documentos de mais de 5,4 milhões de empresas paulistas. Trata-se de ação de desburocratização e abertura de base de dados entre juntas comerciais no país.

Walter Ihoshi é formado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas e especializado em Comércio Internacional pela Universidade da Califórnia. De 2007 até o ano passado, atuou como deputado federal por três mandatos consecutivos. É presidente de Jucesp desde 2019.

Sobre a Jucesp

A Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) mantém a essência de seu trabalho desde quando foi criada pelo Decreto 596, de 19 de julho de 1890, até os dias atuais: é o orgão responsável pelo registro, fé pública e publicidade dos documentos arquivados pelos empresários, sociedades empresárias e sociedades cooperativas no Estado. Tem ainda como principais atribuições processar a habilitação e a nomeação dos tradutores públicos e intérpretes comerciais, além da matrícula e fiscalização de leiloeiros e armazéns gerais.

Walter Ihoshi, presidente da Jucesp, recebendo placa de homenagem do presidente da Câmara, Toshifumi Murata

Fujiyoshi Hirata, secretário-geral da Câmara, Yasushi Noguchi, cônsul-geral do Japão em São Paulo e Walter Ihoshi, presidente da Jucesp

 

Atividades ordinárias

Relatório do presidente

O presidente Toshifumi Murata fez um breve relato sobre a reunião da Diretoria Executiva de Junho, realizada nesta quarta-feira (19), antes do evento Confraternização dos Associados.

Toshifumi Murata, presidente da Câmara

Relatório do cônsul-geral 

Cerimônia de nomeação do título de “Embaixadora da Boa Vontade da Difusão da Culinária Japonesa” a Telma Shiraishi (10 de Maio, residência oficial do cônsul-geral do Japão). Visita do vice-ministro parlamentar do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, Akimasa Ishikawa, a São Paulo (De 20 a 21 de Maio, São Paulo). Recepção em comemoração à ascensão ao trono de sua majestade o imperador do Japão (30 de Maio, residência oficial do cônsul-geral do Japão). Cerimônia em comemoração aos 60 Anos da Imigração Japonesa na Colônia de Várzea Alegre (MS) (25 de Maio, sede da Associação Esportiva e Cultural Nipo-brasileira de Várzea Alegre). Cerimônia em comemoração aos 80 Anos da Fundação do Hospital Santa Cruz (1 de Junho, Sao Paulo-SP); visita do embaixador Akira Yamada a Ikoi-no-Sono (Assistência Social Dom José Gaspar) (1 de Junho, Ikoi-no-Sono). 20º “Bunkasai” – Festival da Cultura Japonesa da Associação Ishikawa-ken do Brasil (8 de Junho, sede da Associação Ishikawa-ken do Brasil). 15º Festival do Japão de Campinas (8 de Junho, sede do Instituto Cultural Nipo-Brasileiro de Campinas). 10º Japan Matsuri de Osasco (8 de Junho, sede da Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Osasco). Cerimônia em comemoração aos 111 anos da imigração japonesa no Brasil (18 de Junho, Monumento em Homenagem aos Imigrantes Pioneiros Falecidos, Parque Ibirapuera, e Auditório do Bunkyo). Esforços para a ampliação de contatos entre os estudantes bolsistas, patrocinados pelo governo japonês, e empresas japonesas. Evento de intercâmbio com a seleção japonesa de futebol (13 de Junho, C.T. São Paulo F.C.). Palestra: “Intercâmbio e desenvolvimento dos recursos humanos através do esporte” (16 de Junho, Japan House São Paulo).

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, Toshifumi Murata, presidente da Câmara e Yasushi Noguchi, cônsul-geral do Japão em São Paulo

Comunicados: 

Tadaaki Kurakake, presidente da Comissão Jurídica, convidou os associados para o Seminário Alterações Fiscais-2019, em 25.06.2019. Masayuki Nagano, presidente da Comissão de Interncâmbio entre Empresas de Diversos Ramos, convidou os associados para a palestra de Katsuhide Itagaki, presidente da Panamedical Sistemas. Atsushi Okubo, diretor-presidente da Jetro, São Paulo, convidou os associados para a Missão Empresarial ao Paraguai, a realizar-se nos próximos dias 1 e 2 de agosto.

Troca de representantes: 

Taro Hiramatsu, novo diretor-presidente da Hisamitsu Farmacêutica do Brasil Ltda., substituindo Hiroshi Nakamura, que retornou ao Japão para desempenhar novas funções na matriz da empresa.

Taro Hiramatsu, novo diretor-presidente da Hisamitsu Farmacêutica do Brasil Ltda.

Novas Associadas:

O presidente Toshifumi Murata fez entrega de diploma de nova associada à empresa Brazil Support Service Eventos e Serviços Ltda., representada por Kyoko Tsukamoto, sócia proprietária.

Discurso de Três Minutos:  

Apresentação da nova estrutura da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão - Japan International Cooperation Agency), por Hiroshi Sato, representante-sênior. Apresentação de "Os legados de uma cultura", promovido pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo).

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos e Walter Ihoshi, presidente da Jucesp, com
membros da Diretoria da Câmara e demais autoridades

 

Rubens Ito / CCIJB - 19/06/2019



Últimas

2019/09/18 » Gestão Empresarial: Comitê promove a reunião mensal de setembro
2019/09/18 » Comissão de Intercâmbio: reunião de trabalho
2019/09/11 » Reunião com o secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra
2019/09/11 » Comitê Jurídico promove reunião de setembro
2019/09/11 » Hirata visita secretária-executiva do CZPE, Thaíse Dutra
2019/09/10 » Realizada a 2ª reunião do Comitê do Meio Ambiente
2019/09/06 » Grupo Trabalhista: Reunião de trabalho
2019/09/05 » Reunião com São Paulo Negócios
2019/08/31 » Câmara promove o 53º Campeonato de Golfe
2019/08/29 » Grupo de Trabalho Tributário e Aduaneiro: reunião
2019/08/29 » Grupo de Trabalho Tributário e Aduaneiro: seminário sobre impostos indiretos
2019/08/29 » Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão: reunião com diretor Yoshida
2019/08/27 » Comitê de Relações Públicas: reunião sobre site da Câmara
2019/08/26 » Tereza Cristina aponta novas perspectivas para o comércio agrícola entre Brasil e Japão
2019/08/26 » Reunião com o diretor-geral do Ministério de Assuntos Internos e Comunicações do Japão
2019/08/22 » Câmara realiza o simpósio dos presidentes dos departamentos setoriais
2019/08/21 » Reunião discute o conceito de prêmio e segurança da informação
2019/08/16 » Câmara promove o evento mensal de agosto dos associados
2019/08/15 » Equipamentos Elétricos, Informação e Comunicação: Departamento promove seminário sobre TI
2019/08/15 » Simpósio dos Presidentes dos Departamentos Setoriais: visita à imprensa nipo-brasileira

Ver mais »