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Seminário no Paraná reforça comércio entre Estados do Codesul com o Japão 10/11/2005

Curitiba, 10/11/2005 - A volta do crescimento econômico do Japão nos últimos três anos vai permitir que o país amplie seu comércio internacional e o Brasil, especialmente os Estados do Codesul (PR, SC, RS e MS), poderá ser um dos mais beneficiados. Essa foi uma das conclusões I Seminário Econômico Codesul-Japão, realizado nesta quinta-feira (10) em Curitiba com a presença de cerca de 300 pessoas, entre empresários e autoridades.

O encontro, aberto pelo governador Roberto Requião, presidente do Codesul, contou com as presenças do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto; do embaixador do Japão no Brasil, Takahiro Horimura, e de líderes de diversas entidades industriais, comerciais e institucionais do Brasil e do Japão.

Para Requião, a integração Codesul-Japão será ampliada. “Eu presido o Codesul e aproveitei para integrar nossos Estados neste encontro com o mercado japonês. O Japão já possui uma série de setores bem-sucedidos com o Paraná, tanto na iniciativa pública quanto no setor privado. Nossa intenção é a abertura de novas parcerias e a instalação de empresas japonesas no Estado. O interesse do Japão é muito grande no Sul do Brasil”, afirmou.

O governador do Paraná destacou ainda que, especialmente para o Paraná, há grandes possibilidades de exportar o álcool produzido no Estado. “O nosso Estado está empenhado. Consegui com o BNDES um financiamento de R$ 2 a R$ 3 bilhões para que o setor possa estar equipado para ampliar a produção de álcool. O desejo de compra do Japão é muito grande, mas eles esperam uma certeza de continuidade de fornecimento e estamos tentando viabilizar isto”, afirmou.

Para o embaixador do Japão no Brasil, Takahiko Horimura, o seminário serviu para renovar as relações bilaterais entre o Japão e os brasileiros. “Reafirmamos acordos e cooperações nas áreas de recursos naturais, científica e de desenvolvimento sustentável”, destacou. Segundo o embaixador, se a década de 70 foi marcada por grandes parcerias, a de 80 pelo enorme endividamento da dívida externa brasileira e a de 90 pela forte estagnação japonesa, o século 21 reserva um grande elo para os dois países.

“O Japão é um país dinâmico, pró-ativo e porta de entrada para todo o mercado asiático. O Brasil é um líder sul-americano e presença indispensável na economia mundial”, ressaltou Horimura.

A participação dos Estados do Codesul – detentores de cerca de 20% do PIB nacional – desperta interesse no mercado japonês, confirmou Horimura. “Setores como agronegócios e indústria, além da proximidade com os países vizinhos, tornam o Codesul uma forte área de prospecção de negócios para os japoneses”, afirmou.

O embaixador ainda salientou que observou no evento os reais atrativos do Codesul, onde a desburocratização da economia nas exportações e importações e a melhora na infra-estrutura são ações que o Brasil ainda necessita para conquistar o mercado mais exigente do mundo.

Tecnologia - A transferência de tecnologia japonesa aos Estados do Codesul foi um dos temas abordados pelo governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. “A tecnologia e a própria forma de gestão das empresas japonesas são diferenciais que o Brasil precisa assimilar. Virão novos empregos e renda, mas virão também novos métodos empresarias”, disse.

Nas áreas de tecnologia de ponta, acrescentou Rigotto, os Estados do Codesul ainda precisam de destaque diante das demais regiões do país. “Mas o Sul já apresenta qualidade em mão-de-obra e pode atrair, sim, novos investimentos”.

O secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Virgílio Moreira Filho apontou números sobre a balança comercial entre o Paraná e o Japão. “Em 2004 exportamos para o Japão US$ 195 milhões, contra US$ 125 milhões em 2003, alta de 55%, e passamos de 143 para 160 produtos paranaenses exportados. Nas importações, de US$ 81 milhões em 2003, atingimos US$ 97 milhões no último ano, alta de 20%. Chegou a hora de ampliar ainda mais nossas relações”, conclamou.

Ao falar sobre a ampliação de mercados com os países vizinhos, como o Mercosul, o secretário-executivo do Codesul, Santiago Gallo, adiantou as novas ações aos empresários japoneses. “Se antes os investimentos eram concentrados na região Sudeste do Brasil, agora o Japão vê nos Estados do Codesul um ponto logístico e estratégico para ampliação de mercado e investimentos”, analisou.

O diretor presidente do BRDE, Lélio de Souza, informou que o banco possui linhas de financiamento para agilizar possíveis parcerias entre empresários dos Estados do Sul e o Japão. “Os programas Pronaf, Prodecoop, Propflora, Moderagro, Prodeagro e Proinfra visam aumentar a produtividade do setor agropecuário”, afirmou.

Já para setor industrial, disse Lélio, o banco tem linhas específicas, bem como para o setor de comércio e serviços. “O BRDE também dispõe de linhas especiais para empresas exportadoras, geralmente a prazos mais curtos”, acrescentou. “O foco do banco é crédito a longo prazo, com capacidade técnica em análise de projetos e planejamento e assessoria de capital.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, a contribuição do Japão para o desenvolvimento de novas oportunidades de processos, produtos e formas de gestão no Brasil será notável para os próximos 10 anos. “Precisamos ampliar a base industrial brasileira e acelerar a inserção das empresas nacionais no mercado externo, como o japonês”, defendeu. Ainda de acordo com Loures, o Japão é visto como “país do conhecimento”.

A possibilidade de novas oportunidades de negócios do Japão no Codesul também foi avaliada pelo presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski. Um dos exemplos da força do cooperativismo desenvolvido no Paraná, disse, vem dos números de países para os quais as cooperativas paranaenses exportaram em 2004.

“As cooperativas paranaenses hoje exportam para 70 países e já temos 40 produtos exportados”, afirmou Koslovski. Áreas como a do complexo soja e o complexo sucro-alcooleiro são pontos que o Paraná dará ênfase às exportações. Atualmente, aves, café solúvel, milho, soja, cana-de-açúcar já figuram entre os produtos que as 210 cooperativas (70 do setor de agronegócio) exportaram, com faturamento de US$ 992 milhões em 2004.

Para o prefeito de Curitiba, Beto Richa, o seminário reforçou laços do Japão principalmente com o Paraná. “Todo o potencial de atração de investimentos para Curitiba foi ressaltado e os empresários japoneses puderam comprovar que os investimentos públicos aqui realizados são sérios”, definiu.

A construção de um Parque do Japão em Maringá, nome dado a um futuro parque de 10 mil metros quadrados com previsão de inauguração em três anos, foi outros tema de destaque do seminário. O projeto apresentado pelo prefeito Silvio Barros, aguarda a cooperação de empresários japoneses. “Esperamos para 2008 que Maringá possua o maior parque japonês fora do Japão”, disse Barros.

Biodiesel - Entre novas formas de negócios entre o Codesul e o Japão, o potencial de utilização do biodiesel no mercado japonês foi apontado como promissor. O representante da Tecpar, Bill Costa, explicou que o biodiesel é renovável, não-poluente e garante menor importação de outros combustíveis, diminuindo a dependência de outros países. “No Brasil, a produção interna ainda é pequena, mas deve ser explorada. Nosso Estado já possui o Programa Paranaense de Bionergia”, acrescentou.

O encontro também ressaltou as potencialidades econômicas de Santa Catarina. De acordo com o secretário de Planejamento de Santa Catarina, Armando Hess, o Estado é ao lado do Paraná uma referência em desenvolvimento nas áreas ambientais, sociais e econômicas. Hess disse que as disparidades regionais do Estado estão sendo contornadas através da descentralização das ações. “A vinda de peritos japoneses, com o treinamento de pesquisadores brasileiros no Japão tornou a região de São Joaquim (SC) um pólo da cultura da maçã”, exexemplificou.

Entre os integrantes da comitiva japonesa também estavam o presidente da Jetro, entidade voltada ao Comércio Exterior e Investimento, Teiji Sakurai; o representante da Jica, responsável por cooperações técnicas, Masahiro Kobayashi; o representante da JBIC, banco de fomento, Taketoshi Aikama; presidente da Marubeni, Junichi Nakamura; presidente da Companhia Iguaçu de Café Solúvel, Ippei Sakaguchi.

Presidente da Comissão Econômica entre o Brasil e o Japão, Takao Omae, apresentou aos participantes do seminário novos marcos dos negócios entre aos os dois lados. Concluindo, o cônsul-geral do Japão em Curitiba, Hirotsugu Hagiuda, mostrou um panorama das relações bilaterias Paraná-Japão. O Paraná, disse, é um dos principais Estados brasileiros de interesse do Japão, porque nele está a segunda maior colônia nipônica do país.

JBIC estuda financiamento para Curitiba

Pouco antes da abertura do seminário, o governador Roberto Requião e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, se reuniram num café da manhã com representantes do JBIC, banco de fomento japonês. O chefe da representação do banco, Taketoshi Aikawa, citou investimentos que a instituição já faz no Paraná, como na Sanepar, e disse que o JBIC pode fazer novos investimentos em Curitiba.

Fonte: AEN-PR



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