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Um futuro de oportunidades entre o Brasil e o Japão 10/11/2005

Estamos nos aproximando do centenário de imigração japonesa, que será no ano de 2008 e o que temos para comemorar? Nas duas últimas décadas do século XX houve um desencontro de oportunidades entre as economias brasileira e japonesa.

Na década de 1980, o Japão apresentava pujança econômica, mas a economia brasileira enfrentava problemas como altas taxas de inflação e instabilidade monetária. Na década de 1990, por outro lado, o Brasil passou por um processo de estabilização que trouxe controle sobre a inflação. No caso da moeda brasileira, apesar dos dois choques de desvalorizações, o real está relativamente estável frente ao dólar, algo difícil de se imaginar alguns anos atrás. Muitos ainda se lembram da necessidade de, não apenas contar os valores das cédulas, mas também, realizar algumas equações matemáticas para se calcular os pagamentos que fazíamos na época da hiperinflação.

O resultado dos problemas econômicos enfrentados nos dois países conduziu as relações econômicas Brasil-Japão a um período de estagnação. Por exemplo, até 1997, o fluxo comercial total bilateral vinha crescendo, quando atingiu US$ 6,6 bilhões, depois desse ano caiu para algo entre 4 e 5 bilhões de dólares e passou a ser deficitário ao Brasil. O ano de 2003 fechou como sendo o sétimo ano consecutivo de saldo negativo para o Brasil, conseqüência de US$ 2,31 bilhões de exportações brasileiras e de US$ 2,52 bilhões de importações do Japão.

No âmbito dos investimentos também o relacionamento não tem sido dos mais destacados, apesar de em 2003 o Japão ter se posicionado como o quarto país de origem dos investimentos diretos, com um total de US$ 1,37 bilhão, atrás apenas dos Estados Unidos (US$ 2,38 bilhões), Ilhas Cayman (US$ 1,90 bilhão) e Países Baixos (US$ 1,44 bilhão). O estoque de investimentos diretos japoneses que ocupava a quarta posição (6,38%) em 1995, com US$ 2,65 bilhões atrás somente dos Estados Unidos, Alemanha e Suíça, caiu para a oitava posição em 2000, passando a representar apenas 2,4% do total do estoque de investimentos. E também na soma dos fluxos de investimentos no período de 2001 a 2004, o Japão está em 8º lugar, totalizando cerca de US$ 2,72 bilhões.

Depois dessas duas décadas de desencontros este ano apresenta realidades econômicas positivas nos dois países. A economia brasileira tem a perspectiva de crescimento do PIB de cerca de 3,5%, depois de um magro 2002. E do outro lado do mundo, o Japão, após mais de uma década de estagnação e deflação, traz expectativas de superação dessa fase.

Em 2003 a deflação no Japão estava em torno de 0,8%, seguiu uma tendência declinante chegando a zero no final do ano. O ano de 2004 apresenta índices de deflação estáveis próximos de zero e isso pode significar que uma pequena inflação esteja em curso, o que no caso do Japão é uma boa notícia pois poderá estimular a demanda doméstica e levar a um crescimento maior da economia. Aliás, apesar do ceticismo, o reaquecimento da economia japonesa parece estar a caminho, no primeiro trimestre de 2004, o Japão registrou um crescimento real de 1,4%, que anualizado representa 5,6%.

Pesquisa da Jetro na América do Sul indica perspectivas de aumento dos investimentos na região

Além disso, uma pesquisa da Jetro realizada na América do Sul traz dois indicadores que merecem destaque: perspectivas de aumento do comércio exterior desenvolvido pelas empresas japonesas localizadas nos países dessa região e também de aumento de investimentos. No comércio exterior, a pesquisa indica que o interesse das empresas japonesas em aumentar suas exportações passou de 65,6%, do ano de 2002, para 77,9% em 2003. O segundo ponto é aumento das perspectivas de investimentos japoneses para o ano de 2004, passando de 25,1% para 32,6%, motivado pelos acordos de integração comercial, como os do México com Mercosul e do Mercosul com a Comunidade Andina, que podem dar novo fôlego ao comércio exterior.

Há também a percepção de que os acordos comerciais possam estimular o comércio exterior entre os países da América Latina com o Japão, um caso concreto é o acordo de Cooperação Econômica, que vem sendo negociado desde outubro de 2002 e está perto de ser fechado. Das empresas que responderam a pesquisa, 86,6% afirmam que esse acordo poderá trazer benefícios.

Em outros países da região, um acordo de integração econômica com o Japão também é visto pelas empresas japonesas como um fator positivo aos seus negócios. No caso do Peru, 90,9% das empresas lá instaladas acreditam que um acordo de livre comércio com Japão as beneficiaria, na seqüência temos o Chile (88,2%), a Argentina (81,5%), a Venezuela (76,9%) e a Colômbia (71,4%).

No caso do Brasil, a porcentagem da avaliação positiva para um acordo com o Japão cai para 67,6%, mas é superior a percepção demonstrada na pesquisa do ano anterior que era de 53,8%. Esse elemento é importante, pois o comércio pode ser um precursor de novos investimentos. No caso do Brasil, seja porque o mercado interno demande a instalação de uma planta para suprir o mercado doméstico, ou ainda, com maior possibilidade, porque o Brasil pode se tornar um pólo para as exportações regionais, a partir da facilitação comercial promovida pelos acordos já mencionados.

Portanto, contrariamente ao que ocorreu nas duas décadas passadas, neste momento as duas economias caminham para um crescimento e ambas apresentam expectativas positivas. No entanto, para que os números se convertam é necessário arregaçar as mangas e no caso da relação bilateral que estamos tratando, o Brasil teria muito a ganhar tomando a iniciativa em buscar transformar as expectativas em realidade.

Isso significa mais do que fazer a lição de casa, como redução do custo Brasil e a promoção de reformas, implica também em iniciativas que visem renovar as informações e a imagem que os empresários japoneses têm do Brasil.

 

Alexandre Ratsuo Uehara, professor de relações internacionais nas Faculdades Integradas Rio Branco, presidente da Associação Brasileira de Estudos Japoneses (ABEJ), e analista político-econômico da Jetro (Japan External Trade Organization, órgão oficial de comércio exterior do Japão).



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