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Japoneses consideram o Brasil um mercado promissor 03/03/2005

Pesquisa recente feita com empresários japoneses revelou que mais de 80% deles consideram o Brasil um mercado promissor para investimentos, no entanto, temem pelos problemas de infra-estrutura, insegurança e falta de transparência. A informação é do vice-presidente do Japan Bank for International Cooperation (JBIC), Yoshihiko Morita, que participou no dia 3 de março do I Simpósio do Grupo Parlamentar Brasil Japão - Aliança para o século 21, realizado na Câmara dos Deputados. O evento também contou com a participação do presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Makoto Tanaka.

No painel que discutiu o tema "Parceria Complementar Recíproca", Morita acrescentou que, na pesquisa, os quatro principais segmentos que despertaram interesse no Brasil foram: energia e recursos naturais; infra-estrutura; álcool combustível e biodiesel; e indústria manufatureira.

Balança comercial

Durante o painel "Comércio e Investimentos", o presidente do Japan External Trade Organization (Jetro), Teiji Sakurai, lembrou que a participação do Brasil na balança comercial japonesa vem diminuindo ao longo dos anos. Ele afirmou que as exportações daquele país para o Brasil representavam, em 1976, 1,3% do total, colocando o Brasil como o 21º destino comercial dos produtos japoneses. Em 2004, esse percentual baixou para 0,4%, levando o País à 28ª colocação.

Sakurai lembrou que as importações de produtos brasileiros pelo Japão também tiveram queda. Entre os principais produtos importados do Brasil pelos japoneses estão a soja, celulose, café, suco de laranja congelado e minério de ferro.

Estratégia

Teiji Sakurai aconselhou o Governo brasileiro a disponibilizar informações sobre o ambiente de investimentos no País de forma contínua e sistemática, com objetivo de aumentar suas exportações para o Japão. O dirigente sugeriu ainda a divulgação de um "novo Brasil", em que as inovações tecnológicas sejam destaque.

Na opinião de Sakurai, o Governo brasileiro deve promover a exportação de produtos não-tradicionais e apoiar, por meio da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex), as empresas do setor privado - especialmente as pequenas e médias - e planejar estratégias de venda com uma margem de cinco anos. Ele ressaltou também a necessidade de se enviar missões comerciais brasileiras - mesmo que pequenas, mas com freqüência - ao Japão.

Ações do Governo

O deputado Paulo Delgado (PT-MG), um dos moderadores do simpósio, informou o que o Governo brasileiro vem fazendo para resolver os problemas apontados pelos japoneses.

No que se refere à infra-estrutura, o parlamentar disse que o Governo tem procurado ampliar a matriz de transportes do País, consertando e abrindo rodovias, mas também buscando construir hidrovias, ferrovias, além de melhorar o sistema aeroportuário.

Em relação à violência, Paulo Delgado lembrou que está em andamento o Plano Nacional de Segurança Pública e que a questão da criminalidade ameaça tanto brasileiros quanto estrangeiros. "É uma vergonha que o Brasil ainda não tenha resolvido a questão da segurança pública", disse.

Quanto à transparência das relações jurídicas, o deputado ressaltou que o Governo quer elevar o padrão da credibilidade do interlocutor brasileiro com o interlocutor japonês. Segundo informou, os empresários japoneses estão traumatizados com quebras de contrato ocorridas no passado. Delgado afirma que, para reverter essa situação, é necessário descobrir que tipo de legislação será preciso fazer, abolir ou consertar.

Cooperação

O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, encerrou o Simpósio ressaltando os laços de amizade e cooperação entre os dois países. Severino afirmou que o Japão tem um papel de especial relevância nas relações com o Brasil nos aspectos econômico e humano. Ele também lembrou que em 2008 faz 100 anos que o primeiro navio de imigrantes japoneses aportou em Santos (SP). Severino acredita que o evento dará importante impulso às relações bilaterais.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, deputado Aroldo Cedraz (PFL-BA), manifestou o interesse da Comissão em ampliar os laços diplomáticos e de amizade com o Japão.

O Grupo Parlamentar Brasil-Japão tem 150 integrantes, entre deputados e senadores, e é presidido pelo deputado Paulo Kobayashi (PSDB-SP).

Simpósio antecede visita de Lula ao Japão

O I Simpósio do Grupo Parlamentar Brasil Japão - Aliança para o século 21 faz parte da preparação da visita oficial que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará ao Japão no mês de maio. O evento também teve como objetivo a reativação das relações econômicas entre o Brasil e o Japão, inclusive para ampliar e consolidar o ambiente de investimentos com representantes do Governo brasileiro, do Congresso Nacional, da Embaixada do Japão e de empresas japonesas que atuam no Brasil.

Participam do evento o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Makoto Tanaka, o deputado Takeo Kawamura, secretário-geral do Grupo Parlamentar Japão-Brasil; o embaixador do Japão no Brasil, Takahiko Horimura; e o secretário de Comércio Exterior brasileiro, Ivan Ramalho, que representa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil.

Parcerias

No início deste mês, o Brasil e o Japão assinaram um termo para a execução do Programa Brasileiro de Agricultura Energética. Pelo acordo, os japoneses financiarão projetos brasileiros para aumentar a produção de álcool combustível no Brasil. Em troca, o País exportará o excedente da produção para o mercado japonês.

Além disso, em janeiro deste ano, o Brasil comemorou o embarque de 1,5 tonelada de manga do tipo Tommy para Tóquio, capital japonesa. Esse foi o primeiro carregamento depois de 32 anos de negociações. Para concretizar a venda, os produtores brasileiros tiveram que se adaptar a algumas exigências, desde a colheita até à embalagem.

Fonte: Agência Câmara - Marise Lugullo



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