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Ex-presidente do Banco Central profere palestra a empresários na Câmara 12/11/2004

Francisco Gros recebendo placa de homenagem das mãos do presidente Makoto Tanaka
(Fotos: Rubens Ito / CCIJB).

 

 

O ex-presidente do Banco Central do Brasil, Francisco Gros, esteve proferindo palestra na Câmara, para empresários e executivos associados, onde traçou um perfil econômico-financeiro do país e fez uma análise das atuais conjunturas nacional e internacional.

Ao discursar durante o Almoço de Confraternização, no dia 12 de novembro, Francisco Gros também abordou a inserção do Brasil na economia mundial e fez uma projeção econômica para os próximos anos. Ele foi recebido pelo presidente da Câmara, Makoto Tanaka, pelo embaixador do Japão, Katsuyuki Tanaka, pelo cônsul-geral do Japão em São Paulo, Hitohiro Ishida e por demais membros da Diretoria Executiva da entidade. Explicou que durante muitos anos, o país era isolado do mundo. “O Brasil era mais fechado do que a Albânia, dizia se na época, e a abertura econômica se intensificou nos anos 90”.

O grande desafio do Brasil é conseguir sua inserção no processo de globalização, de forma eficiente e eqüitativa, para alcançar crescimento econômico, que gere melhor qualidade de vida a seus habitantes, incluindo a geração de empregos, distribuição de renda e inclusão social, com a melhoria da saúde, educação, habitação e previdência social.

Citou atualmente a elevação do preço do petróleo como fator de maior importância para a economia mundial, não por falta do produto, mas pelos problemas que afetam no curto prazo como zonas de conflitos na Nigéria e no Iraque, incertezas futuras na Rússia (empresa Yukos), na monarquia da Arábia Saudita e na Venezuela (Hugo Chávez). Qual é o preço necessário para produzir o petróleo que vamos consumir? O petróleo está sendo procurado em lugares cada vez mais difíceis, com custos de produção muito elevados. Ao seu ver, o preço do petróleo não vai cair para baixo de 30 dólares. Defendeu o uso mais racional da energia, apontando o ajuste da demanda nos Estados Unidos.

O ex-presidente do Banco Central comentou também sobre os déficits gêmeos (fiscal e externo) dos Estados Unidos. Esses déficits estão colocando o dólar em posição menos forte em relação a várias moedas. O déficit em conta corrente deverá atingir neste ano 5,9% do PIB, desencadeando pressões para a desvalorização do dólar, que fortalecerá a competitividade no exterior dos bens produzidos naquele país. Graças às gigantescas compras de moeda e títulos norte-americanos por bancos centrais de diversos países – principalmente asiáticos - uma desvalorização mais rápida e turbulenta tem sido evitada. Mas se alguns desses bancos centrais deixarem de concentrar suas reservas em dólares e papéis dos EUA essa depreciação da moeda pode se acentuar, e, embora uma possibilidade remota, caso isso seja abrupta (“hard landing”), haveria uma séria desordem nas finanças globais, com conseqüências graves. Por outro lado, o “soft landing" - aterrissagem calma e ordenada -, que, se de fato ocorrer e que todos torcem para isto, permitirá que o mundo inteiro se acomode sem maiores trancos, não havendo pânico. Segundo analistas, esses países com grandes reservas em dólares estão presos a uma armadilha, pois uma decisão de venda derrubaria ainda mais a sua cotação. Os americanos, ainda de acordo com esses especialistas, teriam que mudar os hábitos, reduzindo o déficit público e moderando o consumo, com conseqüências negativas para a economia mundial, mas seria o mal menor, diante do risco de um colapso total como a ocorrida com a grande depressão de 1929. “Por quanto tempo o Japão, a China e demais países da Ásia vão continuar financiando fora dos padrões razoáveis os déficits gêmeos dos Estados Unidos, que são absolutamente insustentáveis em médio prazo? Essa sustentação é perigosa para todos nós”, disse Gros, acrescentando que “se o mundo vai mal, o Brasil vai mal, independente das qualidades internas que o país possui”.

Os Estados Unidos, a maior potência econômica e militar de todos os tempos, são a principal fonte de investimentos diretos no Brasil, com estoque de cerca de US$ 34 bilhões, continuam a ser, de longe, o mais importante parceiro econômico-comercial do Brasil, respondendo por quase 30% do saldo comercial brasileiro em 2003, sendo que mais de três quartos das exportações do Brasil aos norte-americanos são produtos industrializados.

Para Francisco Gros, a China é um grande ponto de interrogação. Lembrou que hoje existem no mundo duas correntes de pensamento: os que acham que daqui a 15 anos a China vai se tornar a maior economia do mundo e aqueles que opinam que a transição chinesa, do regime comunista e como mercado emergente, será acompanhada por volatilidade, problemas sérios e insustentáveis, vindo mais crise. “A cada número de anos os chineses podem enfrentar crises – como setor externo, tensões sociais”, afirmou Gros. “No meu ponto de vista, o Brasil está cada vez mais dependente da China. Fator China é fundamental para todos nós: Brasil, Estados Unidos, Japão”, observou.

A América Latina, na sua opinião, expressa uma ampla oferta de propostas populistas. “Vejo uma demanda crescente pelo populismo. No México, Vicente Fox contratou “head hunter” para a admissão de novos executivos gerenciarem a administração do governo, não adiantou. Na Bolívia, o governo foi defenestrado do poder (Gonzálo Sánchez de Losada). Na Venezuela, Hugo Chávez teve 60% de aprovação no plebiscito. Na Argentina, governo do presidente Néstor Kirschner com níveis de aprovação muito alta. No Peru, Alejandro Toledo tem aprovação muito baixa, e Alan Garcia patrono de todos os populistas latino-americanos corre o risco de se eleger novamente. O Uruguai elegeu um presidente populista, Tabaré Vásquez. A única exceção é o Chile, uma política responsável, quase alcançando a Europa periférica”.

Francisco Gross destacou várias vantagens comparativas que o Brasil dispõe. Ele descreveu uma população que cresce pouca – estimativa de 250 milhões até meados do século, diferentemente dos problemas como na Índia e China; as maiores reservas de áreas de terras férteis do mundo; ampla reserva aqüífera, mostrando o exemplo da conjuntura da China, que tem limite de crescimento por causa da água; não tem grandes conflitos; força de trabalho razoável, treinada e disposta; abundância de matérias-primas e minerais; situação social melhor; mercado interno relativamente grande; o agronegócio que responde por 1/3 (37% do PIB) vai muito bem e vem obtendo ganhos crescentes de produtividade e contribuindo de maneira decisiva para os saldos da balança comercial brasileira; as exportações vêm crescendo de forma dramática e contínua; o balanço de pagamentos muito forte; a dívida externa vem caindo; e a inflação sob controle.

Os subsídios agrícolas no mundo também foram citados pelo economista. Gros disse que o mundo caminha por uma redução desses subsídios, sendo que gradualmente a competitividade brasileira tende a crescer no mercado internacional, prevendo que no ano de 2025 haverá no planeta cerca de 8,3 bilhões de habitantes e o país tem as maiores reservas de terras agricultáveis.

Conforme Francisco Gros, doravante, o importante desafio a ser enfrentado pelo país é a questão do investimento. “As taxas de investimentos na nossa economia são muito baixas, e se continuar, a demanda se traduzirá em mais inflação, o governo terá que aumentar os juros, e as conseqüências políticas muito ruins”, afirma. Depois seguem os gargalos estruturais, como a falta de infra-estrutura de energia, saneamento e transportes; a alta carga tributária; e a necessidade de ampliação do parque industrial, que recebeu poucos investimentos desde as crises da Ásia (1997), da Rússia (1998), da desvalorização do real (1999), do apagão (2001), da Argentina (2001) e da desconfiança internacional na época da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2002).

Francisco Gros disse que está muito confiante no Brasil e que o país está passando por um momento muito importante. “O Brasil está bem. Esperamos todos nós que o Brasil continue assim. Possui políticas responsáveis e nível macroeconômico que podem ser implantados em qualquer país. Em 2006 como vai ser? O mundo começa a ter uma trajetória de maior crescimento e não acredito que o atual governo queira ir para casa com o sentimento de dever cumprido”, destacou. “O resultado reflete o bom momento da economia brasileira, com recordes nas exportações, retomada do consumo, da renda e do mercado de trabalho. Momento extremamente positivo de crescimento global e extremamente positivo no processo de crescimento do Brasil”, concluiu.

Perfil

Francisco Roberto de André Gross, carioca, 61 anos, formou-se em economia com louvor, pela Universidade de Princeton, Estados Unidos, em 1964. Sua carreira como banqueiro de investimentos iniciou-se em 1972, no Kidder, Peabody and Co., um grande banco de investimentos em Wall Street. Em 1975 voltou para o Brasil e assumiu o cargo de diretor da Multiplica Corretora, no qual permaneceu até 1977. De 1977 a 1981 foi superintendente-geral e diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De 1981 a 1985 foi diretor-executivo do Unibanco, tendo sob seu comando a área de mercado de capitais.

De julho de 1985 a fevereiro de 1987 ocupou os cargos de diretor do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e vice-presidente da BNDESPAR. Deixou o BNDES para assumir a presidência do Banco Central do Brasil, cargo que exerceu em 1987 e novamente em 1991-1992. Foi presidente da Aracruz Celulose (1987-1989), quando coordenou a execução do projeto de duplicação da empresa – um investimento superior a US$ 1,2 bilhão.

No seu segundo período à frente do Banco Central, Francisco Gros foi um dos principais integrantes da equipe econômica que elaborou e conduziu o programa de recuperação e abertura da economia brasileira iniciado em 1991. Conduziu também as negociações que levaram a acordos com o Clube de Paris em fevereiro de 1992 e com o FMI (Fundo Monetário Internacional) em junho do mesmo ano.

De novembro de 1993 a fevereiro de 2000 Francisco Gros trabalhou no banco de investimentos Morgan Stanley Dean Witter, onde foi, diretor-executivo, responsável pelas operações do banco na América Latina e chairman da Morgan Stanley Dean Witter Latin América.

Gros foi nomeado presidente do BNDES no dia 24 de fevereiro de 2000 e tomou posse no dia 2 de março. Neste mesmo mês, passou a integrar o Conselho de Administração da Petrobras.

Em abril de 2001 passou a membro-titular da Câmara de Gestão da Crise de Energia e responsável pelo Comitê de Revitalização do Setor Elétrico, funções que deixou de exercer, ao receber uma nova missão: presidir a Petrobras, a maior empresa brasileira, cargo que assumiu em 2 de janeiro de 2002.

Em 19 de maio de 2003, assumiu os cargos de diretor-presidente e membro do Conselho de Administração da Fosfértil.



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