Câmara do Japão
Japonês
Buscar: OK

Tópicos

 

 

 

 

 

 

(427)Você está em:
  • Home »
    • Câmara
      • » Notícias da Câmara

Notícias da Câmara

Selecione datas para filtrar: a OK
Brasil e Japão podem abrir nova fase nas relações econômicas 16/01/2008

Visando discutir o futuro do intercâmbio entre Brasil e Japão, a Câmara, os jornais “O Estado de S.Paulo” e “The Nihon Keizai Shimbun” realizaram no período da manhã do dia 16 de janeiro último, o Simpósio Econômico Brasil-Japão – Os Próximos 100 Anos”, no Ano do Intercâmbio Brasil-Japão e do centenário da imigração japonesa no Brasil. As palestras aconteceram no Renaissance São Paulo Hotel, com público participante de mais de 500 pessoas, que lotaram o auditório.

O encontro teve como finalidade desenvolver uma “parceria estratégica” entre os empresários dos dois países, que consiste em alcançar maior convergência econômica no cenário internacional, formalizar parcerias nos âmbitos econômico e tecnológico, buscar progresso consistente em todos os outros setores, consolidando a etapa presente e abrindo caminho para mais avançada e sustentada relação de amizade e cooperação em vários domínios. No simpósio foi discutida a perspectiva da abertura de uma nova fase na relação amistosa e de cooperação econômica bilateral.

A abertura do evento, às 9h, contou com as palavras do vice-governador e secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Alberto Goldman, que, representando o governador José Serra, saudou os participantes e destacou a importância da intensificação do intercâmbio bilateral bem como das comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil. O vice-governador comunicou que estará chefiando uma missão empresarial ao Japão, entre os dias 17 e 27 de abril de 2008, promovida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "No ano em que o Brasil comemora o centenário da imigração japonesa no país, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) elegeu o Japão como prioridade para 2008. A entidade realizará ações de promoção comercial para fomentar a relação comercial entre os dois países. A Fiesp levará ao Japão cerca de 100 empresários brasileiros, em missão-empresarial multisetorial, com destaque para os setores de alimentos, software, autopeças, têxtil, turismo, móveis e artigos de decoração, jóias e bijuterias. Esta missão tem como objetivos proporcionar às empresas que desejam exportar ou expandir as suas exportações para o Japão - contato com pequenos e médios compradores daquele país (importadores, atacadistas, varejistas e agentes distribuidores), bem como com as grandes tradings que dominam a distribuição de determinados setores. Da mesma forma que a missão pretende alavancar as exportações brasileiras, divulgará também o Brasil no exterior, melhorando a imagem do país, com evidentes benefícios para a atração de investimentos. A finalidade é apresentar o Brasil como um produtor altamente especializado, criativo e competitivo no mercado internacional, em termos de custos e qualidade", diz a nota da Fiesp.

A Fiesp é uma das entidades mais importantes do Brasil, conta com 132 sindicatos patronais associados, os quais representam, aproximadamente, 150 mil indústrias de todos os portes e das mais diferentes cadeias produtivas, e tem sob sua tutela nada menos que 42% do PIB industrial do país. Segundo dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho e Emprego, no ano de 2006,  as indústrias de transformação paulista geravam 2,462 milhões de empregos no Estado de São Paulo.

Na avaliação dos debatedores, Brasil e Japão voltam a ter condições para reforçar o intercâmbio comercial, após um período de administração de dificuldades e recuperação econômica, e a bioenergia aparece como o principal canal para estreitar a relação entre os dois países. Outras áreas promissoras seriam alimentos, eletroeletrônicos, automóveis, infra-estrutura, meio ambiente e recursos naturais.

Antes das “décadas perdidas” quando o Brasil passou pela crise da dívida externa nos anos 80, e o Japão enfrentou a estagnação econômica nos anos 90, o comércio bilateral esteve mais dinâmico. A participação japonesa na pauta de exportações brasileiras que, no princípio dos anos 90 representava cerca de 8%, reduziu-se para 2,69% (US$ 4,321 bilhões) em 2007. Por sua vez, o Brasil importava dos japoneses cerca de 7% do total no início de 1990, caindo para 3,82% no ano passado (US$ 4,609 bilhões).

“O Brasil vive um momento favorável. O Japão também. Brasil e Japão têm longa relação de cooperação. Não só os 100 anos de imigração. Mas pelo fato de números expressivos no intercâmbio desde os anos 50, 60, o Brasil fornecendo matéria-prima para a industrialização do Japão naquele momento. O Japão já foi por vários anos o segundo ou o terceiro maior investidor no Brasil. Isto é experiência concreta. Hoje existe um enorme potencial para aprofundar o novo relacionamento comercial. Nos últimos anos, com a retomada do crescimento econômico do Japão e a estabilização econômica conquistada pelo Brasil, as duas nações estão preparadas para retomar a parceria.  Brasil e Japão possuem complementaridade econômica. Cabe aos empresários realizarem. Estabilidade e sustentabilidade, inéditas no Brasil; solidez de crescimento nos próximos anos; as empresas e as famílias ganhando condições de planejar. Somos uma economia aberta, com inflação estável, política monetária adequada para manter a inflação baixa (controlada), impedindo a corrosão do poder aquisitivo da população, com excedente comercial, reservas internacionais na faixa de 185 bilhões de dólares, questão fiscal equilibrada, dívida pública sob controle, exportações consistentes e demanda interna aquecida. O investimento produtivo vem se destacando, com expansão de 14,4% no último dado trimestral disponível, comparativamente ao ano anterior. É este crescimento do investimento que garante o ciclo benigno que vivenciamos. Em 2007 houve o pico histórico de investimentos externos no Brasil (setor produtivo, novos investimentos). Essas são as grandes conquistas da economia brasileira que nos garante a nossa inserção na economia global. O mundo olha para o Brasil com otimismo”, disse o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante o evento.

“As empresas brasileiras e japonesas saberão assumir a liderança nesse processo de crescimento asiático com a nova fase das relações econômicas entre os dois países”, disse José de Freitas Mascarenhas, presidente do Conselho de Infra-Estrutura e vice-presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), durante palestra. O dirigente da CNI lembrou da importância da Ásia no contexto do comércio exterior brasileiro. Mascarenhas, que também preside a seção brasileira do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, destacou o Brasil como plataforma de exportação das empresas para demais países da América Latina. Sobre o mercado japonês, ele disse que a CNI está empenhada na capacitação do empresariado brasileiro para conhecimento daquele mercado, identificando produtos em potencial para exportação.
 
Para Naoki Tanaka, presidente do Centro de Pesquisa Internacional de Estratégias Público-Privadas (Japão), novos paradigmas podem surgir no cenário internacional, como as parcerias em biocombustíveis entre o Brasil e o Japão. Segundo Tanaka, Brasil e Japão podem colaborar com o mundo através da integração, investindo racionalmente em tecnologias limpas e renováveis, com os recursos naturais brasileiros, que poderão dar impulso na retomada das relações comerciais entre os dois países.

"Temos que olhar para o futuro. As áreas de biotecnologia, alimentos, bioenergia - como o etanol, energia elétrica a partir do bagaço de cana e biodiesel – oferecem grandes oportunidades no Brasil. Podemos multiplicar a experiência brasileira para outros países e as tradings japonesas podem ser parceiras dessa empreitada”, disse o diretor titular da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Roberto Giannetti da Fonseca, que elencou ainda as áreas de infra-estrutura, meio ambiente e TV digital como alvos potenciais de integração entre os dois países.

Na opinião de Tadashi Izawa, presidente da Jetro (Japan External Trade Organization) – órgão oficial de comércio exterior do Japão –, as relações nipo-brasileiras vão entrar para uma nova etapa. “O Brasil como parceiro estratégico e plataforma para o mercado global. Muitas empresas do Japão implantando indústrias no Brasil. Ao mesmo tempo em que existe a tendência de novas empresas brasileiras se instalando no exterior, inclusive no Japão. O Brasil se destaca pelo alto desenvolvimento em tecnologia como em aviões, moda, na prospecção de petróleo. Observamos feiras fashion de estilistas brasileiros no Japão, inclusive abrindo lojas de moda em território japonês”.

Izawa destacou a tecnologia japonesa no setor automobilístico, a fim de reduzir a emissão de dióxido de carbono, através do desenvolvimento de novos produtos sem a dependência do petróleo, com carros movidos a eletricidade e a hidrogênio, seguidos por veículos movidos a biocombustíveis, além de motores mais eficientes.

“Mais importante do que exportar álcool será enviar tecnologia para outros países, entre eles aos países da América Central, asiáticos e africanos”, avalia o ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócio da FGV (Fundação Getulio Vargas), Roberto Rodrigues. “O benefício deve ser global nessa terceira etapa. Devemos ter ações articuladas que permitam a criação de um grande mercado de biocombustíveis. Mais países produzindo, com legislação compulsória que defina a mistura do biocombustível”, disse Rodrigues.

“O Brasil é o único país do mundo com extensas terras agricultáveis; detentor da melhor tecnologia tropical do mundo; uma agricultura de espetacular competência e competitividade”, destacou o ex-ministro do primeiro mandato de Lula. Sobre o mercado japonês, Rodrigues disse que os dois países também têm cotas tarifárias a resolver, que inibe a presença dos produtos brasileiros no Japão. “A manga brasileira é hoje um sucesso no Japão. Esperamos 23 anos para abrir o mercado japonês para a manga brasileira. O Japão ainda não importa a carne bovina brasileira. Temos que agilizar isso. O Brasil tem pressa”.

Shoei Utsuda, CEO e presidente da Mitsui Co. Ltd., uma das empresas japonesas que mais investe no Brasil, fez uma apresentação dos principais setores em que a trading atua no Brasil, destacando recursos minerais em parceria com a Vale; energia, etanol e distribuição de gás em estados brasileiros em parceria com a Petrobrás; alimentos; fazendas; e comercialização de equipamentos eletroeletrônicos em parceria com a Sharp.

Utsuda que também preside a seção japonesa do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, aposta numa parceria mais estreita entre Brasil e Japão através do desenvolvimento de novos produtos industriais para a abertura de novos mercados.

De acordo com o CEO da Mitsui, os frutos do intercâmbio bilateral vão demorar a aparecer. “Daqui a três, cinco anos certamente vão florescer. É como um romance, que leva tempo para amadurecer e se consolidar”.

“Os criadores do conceito BRICs (Goldman Sachs) prevêem que, por volta do ano de 2030, o PIB do Brasil vai ultrapassar o do Japão. O BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) - os quatro principais países emergentes do mundo -, é o grupo que poderá se tornar a maior força da economia mundial a partir de 2020. Nos próximos 100 anos, ou muito antes disso, o Brasil se tornará um protagonista mundial. Estaremos sendo titulares do G-7, G-8. O futuro do Brasil depende exclusivamente dos brasileiros. Não depende de Doha, FMI. As empresas brasileiras se tornaram as maiores exportadoras de produtos, independentemente de protecionismos, inclusive do mercado japonês. Mesmo assim, o Brasil cresce. Hoje, Chile e Venezuela são mais importantes do que o Japão nos destinos das exportações brasileiras. O momento é de grande oportunidade para revisar o intercâmbio Brasil-Japão. As empresas brasileiras estão encurtando espaços e ganhando condições de competitividade no mercado internacional. Espero que as empresas brasileiras entrem no Japão”, disse o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.

Sobre um possível acordo bilateral Mercosul-Japão, o ex-ministro disse que o Japão deve manifestar formalmente seu interesse para negociar o acordo. “O Mercosul foi criado há um pouco mais de dez anos. Passou por diversas crises e houve retardamento. Atualmente, o Mercosul está finalizando tratados com Israel, países árabes do golfo, Índia e Egito. O Japão tem vários acordos bilaterais. O Japão mudou muito. O Japão deve fazer uma manifestação formal de interesse para negociar acordo bilateral com o Mercosul”.

O ex-ministro Luiz Fernando Furlan afirmou que as empresas japonesas têm razão quando reclamam do chamado custo Brasil.  “As empresas japonesas têm razão. Burocracia, carência de infra-estrutura, complexa e elevada carga tributária, taxas de juros ainda altas (custos financeiros) são pesos que as empresas têm de carregar”. Mesmo diante desses gargalos na economia brasileira, o ex-ministro nota que “grandes oportunidades surgem no país em que as exportações saltaram de 60 bilhões para 165 bilhões de dólares nos últimos cinco anos”.

O professor da Universidade de Sofia, Tóquio, Kotaro Horisaka, observa que o Brasil está implantando novos conceitos na economia. “Agora estamos na era da complementaridade do conceito (moda, etanol, aviões)”. Citou uma pesquisa do JBIC (Japan Bank for Internacional Cooperation), banco de fomento internacional do Japão, que mostra a melhora da percepção do empresariado japonês sobre o Brasil. De acordo com esse relatório, o país passou de 16º para 7º lugar no ranking dos mais promissores parceiros para negócios com o Japão.

O vice-governador e secretário de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, Alberto Goldman, representando o governador José Serra, fez a abertura do "Simpósio Econômico Brasil-Japão - Os Próximos 100 Anos". (Foto: Rubens Ito / CCIJB)

Presidente do Banco Central, Henrique de Campos Meirelles, durante discurso no "Simpósio Econômico Brasil-Japão - Os Próximos 100 Anos". (Foto: Jin Yonezawa / São Paulo Shimbun)

Palestrantes durante o "Simpósio Econômico Brasil-Japão - Os Próximos 100 Anos". (Foto: Jin Yonezawa / São Paulo Shimbun)

Expositores do Brasil e do Japão durante o simpósio. (Foto: Jin Yonezawa / São Paulo Shimbun)

O "Simpósio Econômico Brasil-Japão - Os Próximos 100 Anos" contou com a participação de mais de 500 pessoas. (Foto: Jin Yonezawa / São Paulo Shimbun)

 

Rubens Ito - CCIJB - 16/01/2008



Últimas

2020/06/29 » Transação tributária: uma saída viável para os impactos financeiros da pandemia
2020/06/26 » Presidente Murata participa da reunião das cinco entidades nikkeis
2020/06/25 » Med Line Segurança e Medicina do Trabalho
2020/06/19 » Novidades tributárias
2020/06/09 » Oportunidades tributárias em tempos de crise e as mais recentes medidas do governo
2020/06/09 » Reavaliação das práticas de Preços de Transferência
2020/06/03 » Covid-19: programa do governo brasileiro para apoio às empresas
2020/05/26 » MP de fundo garantidor para microempresas sairá nos próximos dias, diz secretário
2020/05/09 » Covid-19: esclarecendo algumas dúvidas acerca das recentes medidas trabalhistas
2020/05/06 » Conselho Fiscal realiza reunião para auditoria do 1º trimestre de 2020
2020/05/05 » Questões jurídicas e tributárias no cenário da pandemia
2020/04/28 » Medidas emergenciais adotadas no combate à pandemia e seus reflexos jurídicos
2020/04/27 » Fato do príncipe na extinção do contrato de trabalho durante a pandemia da COVID-19
2020/04/27 » Programa emergencial de manutenção do emprego e da renda foi tema de webinar
2020/04/24 » Covid-19: Redução de salário e jornada de trabalho ou suspensão do contrato de trabalho
2020/04/24 » Cinco medidas adotadas no combate ao coronavírus e seu impacto para empresas japonesas
2020/04/22 » Covid-19: Principais medidas trabalhistas para enfrentamento da crise
2020/04/09 » Covid-19 e impactos na tributação sobre a folha
2020/03/20 » Câmara faz sua 70ª Assembleia Geral Ordinária
2020/03/17 » Diretor do Hospital Santa Cruz participa de reunião com o secretário-geral Hirata

Ver mais »