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Especialistas apostam em alta dos juros básicos da economia na próxima reunião do Copom 17/03/2010

Rio de Janeiro – A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 8,75% ao ano, decidida hoje (17) pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) não surpreendeu o professor Fernando de Holanda Barbosa Filho, da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Já era esperado pelo mercado. Uma parte  achava que ele podia aumentar agora e um segundo grupo achava que ia ser só em abril”.

Fernando de Holanda disse, no entanto, que o consenso a partir de abril é que o Copom terá de aumentar a Selic, “porque a economia está, certamente, em um ritmo de crescimento forte. O último trimestre de 2009 mostrou isso para a gente, que cresceu 2%. E começa a ter no cenário pressão inflacionária. Você começa a ver toda uma expectativa futura de inflação subindo, o que deve sinalizar que no próximo Copom, o Banco Central já deve começar a subir a taxa de juros”.

O ex-ministro da Fazenda, Marcílio Marques Moreira, presidente do Conselho de Economia da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), afirmou à Agência Brasil que se o Copom decidisse por um pequeno aumento de 0,25 ponto percentual, isso “seria um sinal”. 

Moreira concorda  que o Copom deverá elevar os juros básicos para conter o retorno da inflação. O ex-ministro destacou que alguns índices de preços já  acumulam alta em 12 meses, entre eles o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC),  “que estão batendo  em 5%”.

Já o professor do Ibmec, Gilberto Braga, apostava que o Copom praticaria uma elevação de 0,5 ponto percentual, devido à inflação. Braga disse que postergar o aumento da Selic pode não ser recomendável para o próprio governo. “Se deixar para fazer depois vai ser tarde porque boa parte dos preços livres já está contaminada, porque já se cristalizou a convicção de que vai haver um aumento da taxa básica”.

O professor Manuel Alcino Ribeiro da Fonseca, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ), afirmou que há uma pressão política muito forte para que não se mexa na taxa no momento, por conta da eleição. Ele esperava que o mais provável na reunião de hoje seria manter a taxa ou ter uma alta mínima de 0,25 ponto percentual. (Agência Brasil - Alana Gandra)



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