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Ipea diz que inflação está em queda, mas aponta “sinal amarelo” nas contas externas 09/08/2010

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou hoje (9) sua análise trimestral da economia, apontando uma trajetória descendente do índice da inflação, mas demonstrando preocupação com o futuro das contas externas. Os dados fazem parte da Carta de Conjuntura de junho, publicação que reúne as conclusões dos principais economistas do instituto em relação aos cenários econômicos do país.

 

O coordenador do documento, economista Roberto Messenberg, afirmou que a inflação para este ano não terá tendência ascendente, devendo ficar entre 4% e 5%, dentro da meta estipulada pelo governo, de 4,5%. Por conta disso, ele considerou precipitada a decisão do Banco Central (BC) de aumentar a taxa básica de juros da economia.


“Acho que eles [BC] erraram lá atrás, quando divulgaram um relatório de inflação que era francamente contrário às atas que vinham emitindo ao longo do ano passado. Isso sancionou as expectativas de alta da inflação na economia e os obrigou a tomar medidas nesse sentido, com uma elevação brutal da taxa de juros, quando, na verdade, o cenário anterior traçado por eles estava mais correto, de que o mercado estava com expectativas exageradas e que haveria uma convergência na frente”, afirmou.


Para Messenberg, a maior preocupação no cenário futuro não é o descontrole nas contas públicas, como pregam alguns economistas, pois ele acredita que é necessária a participação efetiva do Estado como indutor da economia, possibilitando, entre outras coisas, destravar os gargalos que prejudicam o crescimento. O economista chamou a atenção para o descompasso na balança internacional, com o descolamento das exportações em relação às importações, principalmente de produtos como bens de consumo.


“O sinal amarelo são as taxas de crescimento do déficit comercial, de aumento das importações em relação às exportações. As importações têm se acelerado de maneira contundente. Isso é preocupante, porque pode sinalizar a necessidade crescente de recursos para o fechamento do balanço de pagamentos na economia, quando justamente o investimento direto está escasseando.”


O economista classificou o processo como “enxurrada de importações”, que estaria prejudicando a indústria nacional, operando abaixo de sua capacidade histórica. Segundo ele, a solução não passa unicamente por uma desvalorização cambial – que para funcionar teria que ser muito forte –, mas deve incluir mecanismos de redução de custos de produção, como desoneração tributária para alguns setores, além de investimentos em infraestrutura e logística de transportes.


Messemberg elogiou a atuação do governo federal durante a crise econômica, por intermédio do grande aporte de financiamento às empresas via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do apoio ao sistema financeiro por meio do BC.
 

“O BNDES teve um papel fundamental de expansão do crédito direcionado para as empresas, que não estavam contando com recursos externos, assim como o BC, que também entrou dando liquidez para o capital de giro”, destacou. Segundo ele, caso não houvesse essa intervenção do governo na economia, a queda do Produto Interno Bruto (PIB) seria de três a quatro pontos percentuais no ano passado, em vez do índice apurado, de – 0,2%. As informações são da Agência Brasil - Vladimir Platonow.



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