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BNDES vai reduzir empréstimos e abrir espaço para mercado de títulos 05/04/2011

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje (5) que a instituição deve reduzir o volume de empréstimos concedidos neste ano. Com essa redução, o BNDES visa a colaborar para o desenvolvimento de formas privadas de financiamento de investimento de longo prazo no país.

Segundo Coutinho, o BNDES espera deixar de emprestar até R$ 30 bilhões em 2011, confiando que bancos e o mercado de capitais suprirão essa redução. No ano passado, o banco concedeu R$ 170 bilhões em empréstimos. Em 2011, segundo Coutinho, devem ser aproximadamente R$ 145 bilhões.

“Neste ano, o indicador de sucesso do BNDES não é a ampliação dos empréstimos, mas a moderação dos desembolsos”, afirmou Coutinho, durante seminário organizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). “Se a gente puder realizar menos [empréstimos] do que no ano passado, será muito bom.”

No seminário, Coutinho apoiou o projeto da Anbima de criar um mercado de títulos de dívidas de empresas no Brasil. Por meio dele, companhias com projetos de investimento poderiam emitir esses títulos, vendê-los a investidores e obter recursos para realizar seus planos sem a necessidade de aporte do BNDES.

Para Coutinho, a ideia da Anbima é boa e será incentivada pelo BNDES. O banco pretende comprar até R$ 10 bilhões em títulos de dívidas de empresas vendidos em ofertas públicas. "Queremos ajudar o desenvolvimento do mercado", disse ele.

O presidente do BNDES reforçou que a redução dos empréstimos da instituição depende da ampliação do financiamento privado dos investimentos. O corte esperado não será brusco para garantir o crescimento dos investimentos nos país, que, em 2011, pode chegar a 10% ante 2010. “O que não poderíamos fazer é uma redução radical”, complementou.

O presidente da Anbima, Marcelo Giufrida, informou que dez grupos de trabalho já foram formados para estruturar esse mercado de títulos de dívidas de empresas. Segundo ele, ainda neste ano, o mercado deve estar operando e financiando projetos. (Vinicius Konchinski, da Agência Brasil)



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