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Capitais brasileiras não têm calçadas transitáveis, mostra levantamento 26/04/2012

São Paulo – Nenhuma das 102 ruas de alta circulação de pedestres em 12 capitais brasileiras analisada em um estudo, divulgado hoje (26) pelo portal Mobilize Brasil, tem uma situação das calçadas considerada satisfatória. O resultado está no levantamento Calçadas do Brasil, feito com o objetivo de chamar a atenção da sociedade e autoridades para a necessidade de se cuidar das áreas destinadas aos pedestres e, assim, garantir a mobilidade urbana a todos os cidadãos.

As cidades analisadas foram São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Salvador, Fortaleza, Natal, Recife e Manaus. O levantamento começou a ser feito em fevereiro e é a primeira ação de uma campanha para convocar as pessoas a denunciarem a má conservação das calçadas.

 

Uma das ferramentas da campanha é o site www.mobilize.org.br, que possui um espaço para que qualquer cidadão avalie as calçadas de sua cidade, inclusive com fotografias. A ideia é reunir o maior número de avaliações e criar um mapa que será entregue ao Ministério Público. “ Vamos montar esse mapa, fazer algumas caminhadas, preparar um documento e encaminhar às autoridades pedindo resposta e ações com relação a esse assunto”, disse o coordenador do levantamento, Marcos de Souza.

 

Em todas as vias foram encontrados problemas como buracos, imperfeições do pavimento, remendos feitos depois de serviços de concessionárias, faltas de rampa de acessibilidade, degraus e obstáculos que impedem a passagem. Os locais foram indicados por colaboradores que fotografaram a calçada e deram notas para os itens irregularidades no piso, largura, degraus e obstáculos, rampas, iluminação e sinalização, além do paisagismo.

 

“Quando falamos em paisagismo, falamos de proteção ambiental, ter sombra, criar condições para que as pessoas circulem de maneira agradável. Pode-se ter uma calçada perfeitamente lisa e nivelada, o que já seria muito bom, mas se a calçada também tiver uma proteção contra o sol, a caminhada será feita com muito mais tranquilidade”, explicou.

 

Em São Paulo, a calçada da Avenida Paulista foi eleita como um exemplo acessível e seguro, mesmo com algumas partes quebradas, que na avaliação dos colaboradores não atrapalham a mobilidade, devido à largura da calçada. Os problemas mais citados são falta de manutenção e de um projeto integrado de paisagismo, que deixa trechos sem árvores expondo o pedestre ao sol, além da falta de bancos.

 

No outro extremo aparece o Largo 13 de Maio, também em São Paulo, com destaque para calçadas abarrotadas de lixo, desníveis, buracos, degraus e pouco espaço para o trânsito, o que obriga as pessoas a andarem na rua.

 

De acordo com o levantamento, onde há calçadões é mais fácil andar e há rampas de acessibilidade, mas em outros locais faltam estes acessos ou eles estão mal conservados. Também como exemplo negativo foi citada a Praça Pedro Aleixo, no bairro de São Miguel Paulista, que tem a calçada perfeita, mas que possui o entorno em péssimo estado, com obstáculos, faixa sem rampa e má conservação.

 

O levantamento destaca ainda as calçadas no entorno da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, que são mal conservadas, cheias de camelôs que impedem a circulação dos pedestres. Em Salvador, o Largo da Calçada foi citado como ocupado por camelôs e tendo piso irregular, desnivelado, sem rampas e nem sinalização.

 

Em Belo Horizonte, chama-se a atenção para a Pampulha, que tem no seu entorno acesso ruim para portadores de necessidades especiais, irregularidades no piso e iluminação inadequada. Na Avenida Sete de Setembro, em Manaus, as calçadas também são estreitas e ocupadas por vendedores. Em um dos principais pontos turísticos de Natal, a Praia da Ponta Negra, as calçadas em mosaico de pedras estão mal conservadas e em vários trechos há obras de manutenção.

 

“As calçadas são o instrumento básico de mobilidade em qualquer cidade. Elas são feitas primordialmente para que possamos viver nelas. O ideal é que se possa sair e caminhar sem pensar na calçada”. Souza destacou que é preciso prestar atenção na situação das calçadas porque são comuns acidentes, alguns inclusive com gravidade. (da Agência Brasil, Flávia Albuquerque)



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