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Banco Central e Ordem dos Economistas do Brasil divergem sobre endividamento das famílias 23/08/2012

Brasília – O seminário Políticas Públicas de Estímulo ao Consumo e seus Reflexos na Economia Brasileira, realizado ontem (22) na Câmara dos Deputados, foi marcado por divergências entre os dados estatísticos apresentados por técnicos da iniciativa privada e do governo. O presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, Manuel Enriquez Garcia, disse que o endividamento das famílias chega a 57% da renda e que o nível de poupança do país é 17,2% em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas e bens produzidos no país.

Números contestados pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Túlio Maciel. Ele assegurou para uma plateia de economistas e assessores parlamentares, no Auditório Nereu Ramos, que o comprometimento da renda é 43,4%, e cai para 31,1% excluídos os créditos imobiliários. Parcela que, no seu entender, deve ser vista como geração de patrimônio, embora comprometa parte considerável da renda. E a taxa de investimento é 19,1% do PIB, acrescentou.

Polêmicas à parte, “o certo, porém, é que se trata de dívida”, de acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia no Distrito Federal (Corecon-DF), Jusçanio Umbelino de Souza, e “toda forma de endividamento deve ser vista com muita cautela”. Segundo ele, a oferta de crédito e aumento de consumo resolvem dificuldades de curto prazo, mas podem provocar descontroles contábeis a médio e longo prazos. Daí a necessidade de mais investimentos em educação financeira.

Túlio Maciel ressaltou que “o crescimento do consumo se traduz em bem-estar”. Tanto que de 2003 a 2011 em torno de 40 milhões de brasileiros ascenderam socialmente, engrossando o mercado consumidor. E a expansão se deu em virtude do maior dinamismo econômico do país, com mais oferta de empregos e crescimento da renda, acrescidos da estabilidade de preços e da diminuição dos custos financeiros nas operações de crédito, acrescentou.

De acordo com o técnico do BC, o estoque de créditos no sistema financeiro nacional (SFN) correspondia, em junho último, a 50,6% do PIB, dos quais 26,9% contratados por empresas e 23,7% por pessoas físicas. Comprometimento que ele acha baixo, considerando-se níveis de 230,3% nos Estados Unidos, de 145,9% na China ou mesmo de 96% no Chile. Além de haver mais margem para aumento do crédito, ele ressalta também a solidez do sistema bancário, que trabalha com índice de capital mínimo regulatório bem acima dos 8% exigidos pelo Acordo de Basileia (estabeleceu mecanismos para mensuração do risco de crédito e definiu a exigência de capital mínimo para suportar riscos). Por recomendação do BC, o índice mínimo no Brasil é 11%. (da Agência Brasil, Stênio Ribeiro)



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