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Ibre-FGV estima crescimento do PIB em 1% em 2012 11/12/2012

Rio de Janeiro - Os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que apontaram taxa de crescimento de 0,6%, levaram os economistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) a confirmar para 1% a projeção para o desempenho do PIB este ano. “Talvez um pouquinho menos”, algo como 0,9%, admitiu, em entrevista à Agência Brasil, o pesquisador do Ibre-FGV, Régis Bonelli, coordenador do seminário trimestral de Análise Conjuntural que o instituto promoveu na segunda-feira (10), na sede da FGV, no Rio de Janeiro.

A produção industrial fraca e a baixa taxa de formação bruta de capital fixo (taxa de investimento doméstico) corroboram a estimativa do Ibre-FGV. A queda da taxa de investimento pelo quinto trimestre consecutivo pode afetar a taxa de crescimento do PIB em 2013. A projeção é que a expansão se aproxime de 2,9%, ficando abaixo da meta revista pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de 4,5% para 4%.

O quadro externo deverá influenciar o crescimento econômico do Brasil, com a Europa em crise e perspectiva de reduzida aceleração nos Estados Unidos. Bonelli disse que na América Latina, com exceção do Peru, do Chile e do México, o restante dos países não deverá estar muito bem no próximo ano. O Japão também não deverá mostrar expansão econômica expressiva.

“Em um contexto externo pouco favorável, o nosso modelo está indicando crescimento em torno de 3% ou 2,9%, no ano que vem”. A China, em contrapartida, deverá crescer um pouco mais que este ano, passando de 7,6% para 7,8%, analisou o economista.

Apesar de a economia estar em desaceleração, o Brasil deverá, continuar a atrair investimentos diretos estrangeiros. “É sinal de alguma confiança. Mesmo crescendo pouco, o Brasil é um país gigantesco”. Bonelli acredita que a reforma anunciada pelo governo no sistema de concessões na área de portos, ferrovias e rodovias consiga atrair também investimentos estrangeiros “onde o país mais necessita, que é na infraestrutura”.

Entre os sinais positivos, Bonelli destacou a atuação do Banco Central para derrubar a taxa de juros sem afetar a inflação. Ele acrescentou que uma expansão do PIB em 2013 maior que 2,9% vai depender da retomada do investimento doméstico. “Ele meio que autorreferenda o crescimento do PIB mais lento”. De acordo com os indicadores da FGV, não há sinais de grande recuperação para a taxa bruta de capital fixo à frente.

Bonelli lembrou, entretanto, que isso é um comportamento muito volátil. “Uma mudança nas regras do jogo, uma mudança nas condições internas, podem fazer isso virar muito rapidamente”. O pesquisador do Ibre-FGV acredita na recuperação da indústria brasileira no próximo ano, mas avaliou que isso vai depender também do que acontecer com os países vizinhos da América do Sul, em especial a Argentina.

O coordenador da área de Economia Aplicada do Ibre-FGV, Armando Castelar, também considerou difícil que o PIB cresça até 4% em 2013, como previu o ministro Mantega. “É improvável que o investimento tenha uma recuperação muito forte”, embora o governo tenha introduzido estímulos na economia reduzindo juros e aumentando o crédito público, por exemplo. “Mas o investimento é muito retraído, lá fora vai ser um ano difícil”, disse à Agência Brasil.

Ao contrário deste ano, em que o investimento interno deverá cair cerca de 3%, Castelar admitiu que a taxa poderá crescer no ano que vem. Ele alertou, porém, que isso vai depender do que ocorrer com o investimento público e da velocidade com que as concessões nos setores de portos, ferrovias e aeroportos ocorram.

De maneira relevante, vai depender do que ocorrer com a Petrobras, salientou o economista, tendo em vista que a estatal responde por grandes investimentos efetuados no país. “Acho que a Petrobras está sofrendo com a questão do preço congelado”. Segundo Castelar, isso inibe um pouco a capacidade de a empresa investir.

Castelar analisou que 2013 será um ano melhor que 2012, mas “vai começar pouco acelerado, porque o terceiro trimestre foi relativamente fraco, o quarto trimestre não deve mostrar uma recuperação muito forte”. Nesse contexto, a expectativa é que o próximo ano cresça mais, embora “acelerando aos poucos”.



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