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Problemas do setor elétrico brasileiro são estruturais, avalia Aben 13/09/2014

Na avaliação da presidenta da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) e coordenadora de Sustentabilidade da Eletronuclear, Ruth Soares Alves, os problemas do sistema elétrico brasileiro “são de longa data, porque são estruturais”. Ruth está participando ontem (12) do seminário Perspectivas da Energia Nuclear, no Rio de Janeiro.

Em entrevista à Agência Brasil, ela disse que os problemas ocorrem porque o Brasil não tem fontes confiáveis de energia. “Como você tem uma matriz energética como a nossa, que é eminentemente hidráulica, você depende de chuva. Se não chover, não vai ter energia, porque nós não temos muitos reservatórios”. Nos últimos 20 anos, as usinas hidrelétricas construídas no país foram a fio d'água, sem reservatório. “Não choveu, não pode gerar. Vai ter que substituir por outra fonte”. 

Nos últimos seis anos, estão sendo usadas fontes térmicas para suprir a falta de água nos reservatórios das hidrelétricas que, segundo Ruth Soares, não são planejadas para uso direto. “Elas são para dar estabilidade na matriz energética. Estamos usando 100% da nossa capacidade térmica instalada”. Além disso, as usinas termelétricas são mais caras que a nuclear, explicou. “O Brasil não tem um plano B”, disse.

Por isso, Ruth vê a energia nuclear como uma espécie de salvaguarda ou guarda-chuva, porque é feita para operar na base. “A usina nuclear está ligada o tempo todo”. Este ano, a energia gerada pela fonte nuclear atingiu 9.538 gigawatts - hora (GWh), com 1,99 GW de capacidade instalada. “Nós somos a menor capacidade instalada, por fontes, do Brasil. As demais fontes são todas maiores em termos de capacidade. Porém, não somos os menores geradores”. 

Salientou ainda que uma usina térmica, em situação de emergência, como a escassez de água nos reservatórios hidráulicos, tem o preço de geração elevado no mercado, porque são usinas que não foram projetadas para ficar gerando direto energia. Já a nuclear tem preço fixo definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica.

Ruth reiterou a necessidade de diversificação da matriz energética. Não dá para deixar para amanhã, disse. “Tem que incluir a nuclear porque é uma energia de base”, defendeu. Para ela, o maior problema das fontes renováveis é a intermitência. É o caso da biomassa, citou, “ porque [ essas usinas térmicas]...só funcionam três ou quatro meses por ano, quando você tem safra [de cana]. O Brasil não pode abrir mão da fonte nuclear. Tem que ter todas as fontes, porque são complementares e muito bem-vindas”.

Além da Usina Nuclear Angra 3, que está em construção no município de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, o Plano Nacional de Energia 2030 prevê a construção de até 8 mil megawatts (MW) de energia nuclear no país. A presidenta da Aben observou, porém, que há necessidade de se começar a construção das novas usinas agora, porque levam em torno de dez anos para ficarem prontas.

Após o acidente nuclear em Fukushima, no Japão, em março de 2011, ocasionado por um terremoto seguido de tsunami (ondas gigantes), o mundo decidiu dar uma parada nos seus programas nucleares para analisar o que estava ocorrendo e reforçar os mecanismos de segurança das usinas. Todos os países reavaliaram seus programas, inclusive o Brasil. “É uma característica da indústria nuclear. Toda vez que ela tem um problema, ele não é só de um [país]... é de todos”. 

Segundo Ruth, três anos após o desastre de Fukushima, os planos nucleares foram retomados no mundo. A China, por exemplo, tem em construção 28 usinas ao mesmo tempo. Os Estados Unidos também retomaram o programa nuclear e estão construindo cinco grandes usinas. Ao todo, há em construção no mundo 70 usinas. Em operação, estão 437 usinas em mais de 30 países. Ruth Soares acrescentou que uma usina nuclear se paga em dez ou 12 anos e tem custo de combustível muito baixo, de US$ 28 por megawatt, no Brasil, contra US$ 500 por MW do gás natural. “A diferença de preço é espantosa”, disse. (da Agência Brasil, Alana Gandra)



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