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Teste mostra falhas nas cadeirinhas para bebês e crianças 26/11/2014

Em avaliação feita pela associação de consumidores Proteste, nenhuma das cadeirinhas de transporte de crianças em carros de passeio chegou perto da nota máxima. Foram avaliadas dez cadeirinhas com capacidade de até 18 quilos. Mesmo com o resultado ruim, a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, ressalta que as cadeirinhas são indispensáveis para a condução das crianças.

As cadeirinhas avaliadas foram as seguintes: Burigotto Touring SE3030, Lenox Casulo e Galzerano Coccon, que carregam crianças de até 13 quilos; Bebe Confort Axiss, Baby Style Cadeira 7000, Chicco Xpace e Galzerano Orion Master, que levam crianças de nove a 18 quilos, e Chico Eletta, Nania Cosmo SP Ferrari e Baby Style 333, que podem transportar crianças de até 18 quilos.

O teste foi feito nos Estados Unidos pelo Programa de Avaliação de Carros Novos - Global NCAP e ICRT (International Research & Testing), entidade parceira da Proteste, com a colaboração da Fundação Gonzalo Rodríguez (Uruguai). A avaliação simulou uma batida frontal a 64 quilômetros por hora (km/h) e uma batida lateral a 24 km/h.

O resultado máximo possível para cada produto seria cinco estrelas, mas os produtos avaliados chegaram no máximo a três estrelas. “Estamos em uma situação longe da ideal, e isso se torna mais grave por causa da violência do nosso trânsito”, avalia a coordenadora.

O pior resultado foi no teste de impacto lateral, que não é usado na avaliação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para certificação das cadeirinhas, a autorização para venda no mercado brasileiro.

Apenas a Bebe Confort Axiss teve resultado positivo. A Nania Cosmo SP Ferrari conseguiu resultado aceitável, e as restantes resultado fraco ou ruim. Nos modelos Burigotto Touring SE 3030 e Lenox Casulo, houve forte contato da cabeça do boneco usado no teste com a lateral da porta. Para evitar maiores danos ao bebê ou à criança, a recomendação é que se coloque a cadeirinha no centro do banco traseiro, caso o carro tenha cinto de três pontas nesta posição.

No teste de batida frontal, houve grande deslocamento do boneco nos modelos Baby Style Cadeira 7000, Chicco Xpace e Galzerano Orion Master. Neste último, a parte traseira se rompeu perto do cinto de segurança da cadeirinha. Na Baby Style 333, a presilha lateral soltou, jogando o manequim bruscamente para os lados. Ocorreu muito movimento também com Chico Eletta e Nania Cosmo SP Ferrari.

Neste teste, apenas três produtos,  Burigotto Touring SE3030, Lenox Casulo e Galzerano Coccon receberam conceito bom e muito bom.

Dados da Polícia Rodoviária Federal mostram que o número de mortes de crianças menores de 10 anos no trânsito caiu 23% em 2012, como reflexo da Lei da Cadeirinha. A lei passou a exigir o uso de equipamento de segurança certificado pelo Inmetro para o transporte de crianças de até 7 anos, sempre no banco de trás.

Considerando todos os testes, apenas as marcas Nania Cosmo SP Ferrari e Bebe Confort Axiss conseguiram três estrelas, de cinco. A Gazzerano Coccon, a Baby Style Cadeira 7000 e a Chicco Xpace tiveram duas estrelas e as outras, uma.

Segundo Maria Inês, a Proteste enviou o resultado da avaliação para o Inmetro, na tentativa de que o ensaio de impacto lateral seja exigido dos fabricantes para a autorização da venda das cadeirinhas.

Nos Estados Unidos, o teste é obrigatório e na Europa começará a ser exigido em 2015. Segundo a coordenadora, as cadeirinhas vendidas no Brasil têm apresentado desempenho inferior ao das vendidas na Europa e nos Estados Unidos.

Procuradas para falar sobre a avaliação, a fabricante da Baby Style, da Galzerano e da Bebe Confort disseram que não comentariam os testes, porque consideram que eles não estão de acordo com as exigências brasileiras.

A Burigotto ressalta que todas as cadeiras para automóveis de seu portfólio de produtos atendem às exigências do Inmetro e da norma brasileira ABNT NBR 14400, e garante a segurança dos produtos.

A Lenox pediu à Proteste mais detalhes da avaliação para se posicionar com maior embasamento. Até a publicação desta matéria, a Agência Brasil não conseguiu contato com os dirigentes das empresas Chicco e a Nania. (da Agência Brasil, Aline Leal)



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