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Produção siderúrgica brasileira não terá crescimento este ano, diz o IABr 27/11/2014

A indústria brasileira do aço estima chegar ao fim deste ano com  produção de 34,20 milhões de toneladas, mostrando estabilidade em relação ao ano anterior, quando foram produzidos 34,16 milhões de toneladas. Para as vendas internas, a projeção é queda de 8,9%, enquanto as exportações deverão crescer 20,6%, não devido à melhora do mercado internacional, mas ao religamento  do  alto forno da empresa ArcelorMittal Tubarão. As importações deverão se expandir no ano em 9,7%, enquanto o consumo aparente  deverá se retrair em 6,4%. Os números foram divulgados ontem (26), no Rio de Janeiro,  pelo Instituto Aço Brasil (IABr).

O presidente executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, atribuiu o fraco desempenho do aço brasileiro ao processo de desindustrialização observado na indústria de transformação do país  como um todo, que “vem passando por dificuldades muito fortes”. A razão disso, indicou, “é a perda da competitividade sistêmica”. Ou seja, fatores externos ao controle das empresas, que retiram do setor do aço e da cadeia industrial a possibilidade de competir, “seja com o [produto] importado, seja no campo da exportação”. O excedente de produção mundial, da ordem de 570 milhões de toneladas, é um desses fatores.

Lopes listou também entre os entraves à evolução da siderurgia nacional a questão cambial, os juros altos, a cumulatividade de impostos, carga tributária, custo da energia elétrica e do gás natural. O setor siderúrgico caiu de uma participação de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços produzidos no país em um ano, para 13%, devido à perda da competitividade sistêmica, “sem ter nenhuma segurança de que esse patamar de 13% é o patamar onde nós vamos ficar, devido à não correção dessas assimetrias”, analisou.

Ele defendeu  a adoção pelo Brasil de mecanismos de defesa comercial, abrangendo medidas anti-dumping e salvaguardas, para enfrentar práticas predatórias da concorrência externa, sobretudo da China, como fazem os demais países.

No cenário interno, avaliou  que a economia está estagnada. “Ninguém compra, ninguém vende, ninguém investe”. É preciso, manifestou, que se retome a confiança no país e que haja  utilização efetiva do conteúdo nacional. Para que ocorra uma melhoria das condições atuais para o setor, Lopes disse ser necessário que o Brasil caminhe em direção a um crescimento sustentado, com investimentos em infraestrutura. “É preciso que ocorram investimentos em obras que tragam um [aumento do] consumo, de maneira que a gente possa ter um mercado interno crescendo de forma mais sustentável”. Enquanto a China elevou o seu consumo per capita, isto é, por habitante, de 34 quilos, em 1980, para mais de 500 quilos, há um ano, o Brasil apresenta consumo de cerca de 132 quilos por pessoa.

Segundo o presidente executivo do IABr, devido ao quadro de incertezas do cenário externo e, inclusive,  da política interna brasileira, é difícil fazer projeções para a produção de aço em 2015 no país. Para as vendas internas, entretanto, a perspectiva é que haja expansão de 4%, o que representará somente a recuperação de parte da queda de 8,9% esperada para 2014. O mesmo ocorre em relação à previsão de aumento de 2% para o consumo aparente no próximo ano.

Marco Polo de Mello Lopes informou que no próximo dia 1º de dezembro, o IABr terá a primeira reunião com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), para  tomar conhecimento das medidas que estão sendo trabalhadas pelo governo diante das prioridades apresentadas pelo Fórum Nacional da Indústria à Casa Civil, do qual a entidade faz parte. “Há uma sinalização favorável”, mencionou. O anúncio formal da equipe econômica, previsto para amanhã (27), traz uma expectativa muito positiva “que se abra um diálogo efetivo para tratar aquilo que nós consideramos como prioridade absoluta, que é a recuperação da competitividade”.

O presidente do Conselho Diretor do IABr, Benjamin Mário Baptista Filho, acrescentou que a maneira de aumentar o mercado de aço no Brasil é “aumentando a produção daquilo que contém aço e que essas coisas possam ser vendidas no mercado”. A indústria metalmecânica estaria  inserida nesse processo, destacou. (da Agência Brasil, Alana Gandra)



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