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Indústria brasileira encerra 2014 com maioria dos indicadores em queda 04/02/2015

A indústria brasileira encerrou 2014 com a maior parte dos indicadores em queda, segundo a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada ontem (3) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em 12 meses, o faturamento real, horas trabalhadas e emprego recuaram em relação a 2013.

As quedas foram, respectivamente, de 1,8%, 3,7% e 0,7%. De acordo com o levantamento da CNI, apenas a massa salarial e o rendimento médio reais cresceram 1,5% e 2,3% no ano passado.

A CNI informou que os dados são os mais fracos desde 2009 para todos os indicadores, com exceção do rendimento médio real.

“O quadro da indústria para 2014 é bastante negativo e preocupante. Reflete todas as dificuldades que as empresas brasileiras estão tendo, de competição, de produtos importados. O consumo já não mostra o vigor de antes. O ano de 2014 foi de queda do investimento”, destacou o gerente de Políticas Econômicas da CNI, Flávio Castelo Branco.

Avaliando apenas o mês de dezembro, a totalidade dos indicadores caiu em relação a igual período de 2013. O recuo mais expressivo ocorreu nas horas trabalhadas. O dado, que mede o ritmo da produção industrial, caiu 7% no período.

Comparando-se dezembro com novembro de 2014, as horas trabalhadas na produção industrial caíram 3,3%, enquanto o faturamento real recuou 3,1%. O emprego foi o único indicador que teve variação positiva no período, 0,4%.

“O que observamos em dezembro é a continuidade da contração na indústria, o que verificamos ao longo de 2014. A retração das horas trabalhadas e do faturamento é bastante aguda. São números nada triviais”, comentou o economista. Quanto ao emprego, ele destacou que o crescimento mensal é pequeno e que, a longo prazo, o cenário é de queda.

A pesquisa também mostrou a utilização da capacidade instalada no fim de 2014, que atingiu 81% em dezembro, contra 80,9% em novembro do ano passado e 81,7% no mesmo mês de 2013. A CNI avaliou que, “embora não tenha se contraído no mês, a utilização da capacidade instalada sugere desaquecimento do parque fabril”.

Segundo Flávio Castelo Branco, a expectativa para os primeiros meses deste ano é a continuidade do cenário desfavorável. “As expectativas de que a economia reaja são relativamente distantes do mundo de hoje. O aumento da tributação e a elevação das taxas de juros agravam as dificuldades do setor industrial. Esperamos que [as medidas de ajuste fiscal] venham acompanhadas paulatinamente de medidas de mais estímulo”, disse.

Castelo Branco acrescentou que uma possível reação da indústria só deve ocorrer a partir do segundo semestre. (da Agência Brasil, Mariana Branco)



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