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Consultor de marketing japonês ensina como exportar para seu país 13/11/2006

Consultor de marketing japonês ensina como exportar para seu país

Reugene Nishikawa (consultor de marketing) e Makoto Tanaka (presidente da Câmara).
(fotos: Rubens Ito / CCIJB).

 

 

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Considerado um prodígio do marketing japonês e conhecedor como poucos os hábitos de consumo atuais de seu povo, o consultor e professor Reugene Nishikawa, afirma que o Brasil é admirado e adorado pelos japoneses. Produtos de beleza e moda, carne bovina, álcool etanol, cachaça e vinho podem aumentar suas vendas.

Em sua palestra para mais de 120 membros-associados da Câmara, no dia 18 de agosto, em São Paulo, Reugene apresentou os motivos pelos quais os japoneses têm se interessado mais pelo Brasil, como os fatos do centenário da Imigração Japonesa no Brasil em 2008; a força da tecnologia da América Latina estar no Brasil, assim como a maior comunidade japonesa do mundo; o futebol; os trabalhadores brasileiros no Japão ("dekasseguis"); a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão e vinda do primeiro ministro japonês ao Brasil e a participação do Brasil no BRIC´s. Ele também disse sobre a importância de adequação do produto brasileiro ao mercado japonês e elogiou a diversidade cultural brasileira, que resultaria em uma melhor compreensão das diferenças culturais.

O Japão vive um novo ciclo de expansão após a recessão dos anos 90. Esta recuperação abre uma variada gama de oportunidades comerciais para as empresas brasileiras que querem conquistar o mercado internacional. "A retomada do crescimento a partir de 2002 revitalizou o consumo", disse o consultor Reugene Nishikawa, considerado pela revista norte-americana Fortune o jovem gênio do marketing japonês.

O patrimônio médio das famílias japonesas, segundo o consultor, é de US$ 400 mil. "Isso faz do Japão um mercado tentador", afirmou Nishikawa. Produtos orgânicos e alimentos, cujos ingredientes ou elementos naturais preservem a saúde,  têm grande aceitação naquele país. Além disso, há no Japão uma expressiva população idosa, um nicho de mercado importante para as empresas brasileiras que fabricam produtos para a terceira idade. Outra oportunidade importante que está se abrindo no Japão, segundo  Nishikawa, é para o álcool etanol, cuja tecnologia o Brasil domina. O Japão pretende usar o etanol em mistura com outros combustíveis para preservar o ambiente. A partir de 2010 o país vai adicionar 5% de álcool à gasolina, substituindo o MTBE (aditivo altamente poluidor). "O japonês valoriza a longevidade. Quer ser jovem e ter uma vida saudável", disse o consultor, que é professor especial do Instituto de Tecnologia de Tóquio e das universidades de Takushoku e Waseda.

As empresas brasileiras têm boas chances de conquistar uma fatia de consumidores abastados, que está sempre atrás de novidades, destaca o consultor. São os novos ricos, as mulheres solteiras, as celebridades e os homens que têm cuidados especiais com a aparência, os metrosexuais. Esse público quer produtos de luxo, marcas famosas, mas, sobretudo, itens exclusivos.

Uma das evidências do aquecimento da economia japonesa seria o volume de dinheiro circulando. O empréstimo dos bancos privados em julho deste ano registrou alta de seis meses seguidos sobre o ano passado, com aumento de 2,2% em comparação a julho do último ano, alcançando 385 trilhões e 265,7 bilhões de ienes. "Não se via um aumento desses há dez anos e quatro meses, desde março de 1996. Com o crescimento da economia, aumentam as demandas pelo capital de giro das empresas e pelo capital para fusões e aquisições", comentou o palestrante que tem fama de ser um criador de tendências.

Reugene disse que, além da questão financeira da população, foram solucionados problemas como desemprego, infra-estrutura e dívida, aumentaram os lucros das empresas e percebe-se a recuperação da produtividade da economia como um todo. Para os empresários que já exportam ou que pensam em exportar para o Japão, neste ano é bom ficar atento ao resultado das eleições para o cargo de primeiro ministro por lá. "Acredito que as relações comerciais entre o Brasil e o Japão só tendem a melhorar ainda mais, pois há espaço e todos os candidatos ao governo simpatizam muito com o Brasil", declarou.

Outro segmento que oferece oportunidades de negócios no país do Sol Nascente é o apelo estético e a moda voltada ao fashion. Reugene foi incisivo em relatar como as mulheres de seu país admiram as mulheres brasileiras, são fãs incondicionais de Gisele Bündchen e todas as top models que trabalham em editoriais de moda mundo à fora. "As japonesas tem paixão pelas modelos daqui e se inspiram nelas. Roupas de estilistas cariocas estão fazendo sucesso nos shoppings centers mais elitizados e com preços bastante semelhantes das maiores grifes européias", enfatizou. "Também há boas oportunidades para vinhos, pois os japoneses estão se aprimorando nos conhecimentos e já são bons compradores para os produtos chilenos e argentinos", salientou Reugene.

Nishikawa escreve regularmente artigos para grandes jornais e revistas, sendo o criador de novos vocábulos no Japão, como o substantivo “asshi” (aquele que dá carona) ou o adjetivo “jimotti” (para denominar algo da mesma região).

Nas áreas automobilística, esportiva, de saúde e de entretenimento, participa da comissão para a modernização das estradas; atua como repórter oficial do Tokyo Motor-Show; procurador da agência de publicidade da JFA (Associação de Futebol do Japão, na sigla em inglês) e membro do conselho deliberativo da Associação de Wellness do Japão; trabalha para a Associação de Software de Entretenimento Eletrônico. Foi apresentador da CNN no Japão e participou em diversos programas de TV como comentarista de negócios e fenômenos sociais, ganhando o apelido de "páginas amarelas de Tóquio".

Perfil do intercâmbio comercial Brasil-Japão

Com população de 127 milhões de habitantes, o Japão está hoje entre aqueles que mais compram do Brasil, tendo subido da oitava posição, em 2005, para a sétima, em 2006. Mas a participação do Brasil no mercado japonês é ainda muito reduzida, tendo em vista o potencial que representa a dimensão de seu mercado, os níveis de crescimento de sua economia e a renda per capita de seu povo (próxima dos US$ 30 mil, quase quatro vezes superior à do Brasil). O Japão é não só a segunda economia do mundo - atrás apenas dos Estados Unidos -, como ocupa a quarta posição de maior importador de produtos e serviços do mundo e tem a 10º maior população.
Hoje, o Brasil responde por apenas 0,6% das importações dos japoneses. No ano passado, o país forneceu US$ 3,5 bilhões dos mais de US$ 516 bilhões das importações japonesas. E tem uma pauta ainda muito concentrada em produtos básicos, como minério de ferro, alumínio, frango congelado, suco de laranja e soja. Os produtos básicos respondem por 58% das exportações do Brasil para o Japão.  
Perspectivas 
Estudos elaborados por especialistas brasileiros indicam que o mercado japonês está aberto a mudanças e inovações, mostrando que são muitas as oportunidades. Há espaço para a exportação de jóias, cosméticos, vestuário, artigos esportivos, cafés e derivados, sucos, bebidas alcoólicas, própolis, orgânicos, produtos para animais de estimação, tecnologia, produtos médicos, odontológicos e hospitalares, produtos aeroespaciais, álccol etanol e plásticos.


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