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Lula e Bush querem aumentar produção mundial de álcool 09/03/2007

 

Guarulhos - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostra ao presidente George Bush mudas de cana-de-açúcar, utilizada na produção de biocombustíveis. (foto: Ricardo Stuckert / PR).

 

Brasília, 9/03/2007 - Após a visita no terminal da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em Guarulhos, os presidentes George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva discursaram sobre a intenção de aumentar a produção de etanol e biodiesel, como forma de alterar o panorama mundial das fontes de energia, muito dependente do petróleo. A proposta é um dos principais pontos discutidos pelos chefes de Estado.

O presidente Lula da Silva levantou a possibilidade de
incentivar os países em geral a trocar suas principais fontes de produção de energia. Dirigindo-se a George W. Bush, sugeriu uma atuação conjunta com esse fim. “A sua visita ao Brasil pode significar definitivamente uma aliança estratégica que permita um convencimento do mundo mudar sua matriz energética”, disse.

O presidente citou a criação do Fórum Internacional de Biocombustíveis, lançado na última sexta-feira (2) por Brasil, África do Sul, China, Estados Unidos, Índia e União Européia na Organização das Nações Unidas (ONU). “Somente assim teremos a escala de produção necessária para potencializar os benefícios do etanol e o biodiesel”, comentou.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que
planeja aumentar em mais de seis vezes o consumo de etanol (álcool combustível) de seu país até 2017, passando dos atuais 20 bilhões de litros anuais para 132 bilhões. Ao lado de Lula, Bush fez um discurso que enfatizou as vantagens do etanol, a necessidade de proteger o meio ambiente e as vias de cooperação com o Brasil.

Uma das possibilidades mencionadas foi na área de pesquisa. Bush elogiou os acadêmicos dos dois países e afirmou que eles podem trabalhar conjuntamente no desenvolvimento de tecnologia de biocombustível. Contou também que pediu ao Congresso a aplicação de US$ 1,6 bilhão a mais nos próximos dez anos em pesquisas na área. O presidente mencionou também a relação com países pobres, citando especificamente a América Central. “Quero colaborar com o Lula para fazer com que a América Central aumente sua independência do petróleo e se torne auto-suficiente em energia”.

A idéia recebe apoio e crítica. Nos
bastidores, a parceria anda a todo o vapor desde o fim do ano passado. Segundo o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, uma comissão de âmbito continental criada em dezembro, a Comissão Interamericana de Etanol já encomendou um diagnóstico geral sobre a América Latina, para saber onde e como será possível plantar cana-de-açúcar ou aproveitar a produção já existente para fabricar etanol.

Com uma
análise diferente, está o engenheiro José Bautista Vidal, um dos criadores do programa público que desenvolveu o uso do álcool combustível no Brasil, nos anos 70, o Proálcool, que acredita que as negociações do país com os Estados Unidos em torno do produto podem ter conseqüências "péssimas" para os brasileiros. “Em vez de o Brasil tomar a iniciativa e criar instrumentos, empresas, criar a Companhia Brasileira de Bioenergia, os norte-americanos aproveitam e estão criando uma estrutura de poder a partir do álcool brasileiro”, disse hoje (9) em entrevista à TV NBr. Movimentos sociais também criticam os prejuízos de incentivar a monocultura da cana-de-açúcar. 

Saiba mais sobre o memorando assinado pelos presidentes 

 

O Ministério das Relações Exteriores divulgou no início da tarde a íntegra do memorando de entendimento sobre biocombustíveis assinado hoje pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush.

O documento tem o objetivo declarado de "avançar a cooperação em biocombustíveis" e destaca as dimensões "bilaterais", "em terceiros países" e "global" desse objetivo. Segundo o memorando, Brasil e EUA têm interesses comuns compartilhados na área no desenvolvimento de recursos energéticos baratos, limpos e sustentáveis, os quais têm "importância estratégica como força transformadora na região para a diversificação de recursos energéticos, a promoção de crescimento econômico, o avanço da agenda social e a melhoria do meio ambiente".

Do ponto de vista bilateral, conforme o memorando, representantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos pretendem avançar na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias para biocombustíveis de nova geração.

Em relação aos "terceiros países", Brasil e EUA afirmam o desejo de trabalharem juntos para levar os benefícios dos biocombustíveis a nações selecionadas por meio de estudos de viabilidade e assistência técnica. O trabalho deverá começar na América Central e no Caribe.

Do ponto de vista global, os dois governos anunciaram que pretendem expandir o mercado de biocombustíveis por meio da cooperação para o estabelecimento de padrões uniformes e normas. Para atingir esse objetivo, vão manter cooperação no âmbito do Fórum Internacional de Biocombustíveis (FIB), levando em conta o trabalho realizado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade do Brasil (Inmetro) e o Instituto Norte-Americano de Padrões e Tecnologia (NIST), bem como coordenando posições em fóruns internacionais complementares.

Para supervisionar as atividades realizadas será estabelecido um grupo de trabalho composto por integrantes do Brasil e dos Estados Unidos.

Os presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, George W. Bush, se encontraram hoje em São Paulo. Pela manhã, os dois visitaram o Terminal da Transpetro, pertencente à Petrobrás, em Guarulhos.

 

 

 

 

 

 

Agência Brasil – Carolina Pimentel / Ana Paula Marra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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