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Desemprego pode se agravar no primeiro trimestre, diz economista do IEDI 14/01/2009

 

Brasília, 13/01/2009 - A perspectiva de crescimento do desemprego na indústria, apontada hoje (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode se agravar ainda mais no primeiro trimestre do ano. A avaliação é do economista Rogério Cezar de Souzado, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

 Ele explicou que quando há redução na produção, conseqüentemente o emprego fica prejudicado. No entanto, as demissões ocorrem em espaço de tempo posterior à queda da produtividade.

“O fato é que entre o que a empresa produz e o emprego há uma diferença. A evolução desses dois agregados econômicos tem um comportamento diferenciado”, afirmou. Segundo Souza, acumulando outubro e novembro a produção industrial já caiu cerca de 8%, enquanto o emprego registrou retração de 0,6%.

“O que chama atenção para os próximos meses, contanto com essa idéia de defasagem [em relação ao percentual de queda da produção industrial e o ritmo de desemprego], é que a industria ainda está se ajustando em dezembro e janeiro em relação à produção. Com o emprego não será diferente”, argumentou. “Em dezembro, o emprego ainda pode apresentar um comportamento estável ou uma queda, mas o primeiro trimestre do ano não será bom para o emprego”, acentuou.

Para o economista, a industria brasileira acusou “de modo muito rápido” o agravamento da crise de meados de setembro. Em outubro, afirmou, a produção industrial caiu em torno de 2,7%, em relação a setembro, e no mês de novembro, segundo último dado oficial do IBGE, houve queda da produção industrial de 5,2%.

“Em novembro, a magnitude foi maior, o tombo foi muito grande e se tornou preocupante e comprometeu o desempenho que tínhamos em 2008”, destacou. Souza avalia que o quadro de crescimento do desemprego tende a se agravar também porque os segmentos que estavam “puxando” a produção industrial e o emprego já caíram.

“Quem são esses segmentos? São os de bens duráveis, de capital, máquinas e equipamentos, meios de transporte, todos eles caíram”, exemplificou Souza, acrescentando que a redução ocorreu devido à redução de crédito e queda nas venda e a conseqüente elevação dos estoques. “Os empregos nesses setores já haviam desacelerado bastante, mas se mantinham positivos. A conclusão é que a produção caindo nos segmentos líderes vai ter reflexo no desemprego que estavam sendo gerados por esses segmentos”, afirmou.

Para o economista do IEDI, o governo é um agente importante e fundamental neste momento de crise. Para diminuir os efeitos da crise é preciso manter os investimentos e reduzir os juros. “O governo tem que segurar os investimentos na economia. Tem que sinalizar para os agentes econômicos – consumidores, empresários e instituições - que a economia vai se fortalecer."

“O governo pode entrar com gastos produtivos. Com isso, vai trazer investimentos privados além de tentar trabalhar com a expectativa de empresários. Essas variáveis vão minimizar os efeitos da crise, sobretudo o desemprego.”

Na avaliação do economista, além da manutenção dos investimento previstos, o governo deve reduzir a taxa de juros da economia como forma de baratear o custo dos recursos tomados pelas empresas. “Os juros já não eram condizentes com a nossa realidade mesmo antes do agravamento da crise. Com certeza, o Banco Central reduzirá a taxa de juros básica. Isso é importante porque é o custo do dinheiro, do capital. O crédito para investimento é importante neste momento e quem vai tomar dinheiro vai olhar duas coisas: o prazo e os juros. Se o custo for muito alto não incentiva." (Agência Brasil - Ivan Richard)



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