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Brasileiros são minoria nos pedidos de patente de tecnologias ligadas a células de hidrogênio 13/04/2009

 

Rio de Janeiro, 13/04/2009 - Dos 503 pedidos de patente de células de combustível depositados no Brasil  de 1996 a 2005,  apenas 5,2%  são de brasileiros. É o que revela estudo feito pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) sobre o patenteamento de tecnologias ligadas a células  de combustível, isto é, a células de hidrogênio que geram energia. Elas vêm ganhando espaço nos últimos anos entre as fontes alternativas. de energia.

Luciana Goulart de Oliveira, uma das três pesquisadoras do Inpi resposáveis pela pesquisa, explicou que a célula de combustível  é uma alternativa  ao combustível sólido mais usado no mundo, que é o petróleo, “muito poluente e finito”. Como essa tecnologia usa o hidrogênio, que vem da água,  é encontrado em volume suficiente no mundo e não polui. Trata-se de “uma tecnologia bastante agradável do ponto de vista ambiental”, disse a pesquisadora.

De acordo com a pesquisa, os Estados Unidos lideram o ranking  de países que buscam proteção para suas invenções no Brasil, respondendo por 49,8% dos pedidos de patente de células de combustível. Em seguida, vem a Alemanha, com 15,9%.

Do total de pedidos apresentados, a maior parte (87,1%) é de empresas privadas, “o que confirma o  que diz o sistema de patentes internacional, que quem busca a patente  de inovação é a empresa”, esclareceu Luciana Goulart.

O restante é distribuído entre pessoas físicas (6%), universidades privadas (2,4%), instituições de pesquisa públicas e privadas (1,3%), empresas públicas (1,1%) e universidades públicas (0,7%).

A pesquisadora destacou que dos 21 depósitos feitos por brasileiros, referentes  a tecnologias relativas a células de combustível,  as instituições e empresas públicas prevalecem.  Há uma concentração da pesquisa no setor público nacional. O resultado reitera o entendimento  já verificado pelo Inpi em trabalhos anteriores de que a empresa privada brasileira patenteia muito menos do que deveria.

“Quem realmente investe em pesquisa é o setor público. A empresa privada tem pouca fome de fazer pesquisa e de patentear, diferentemente dos países desenvolvidos, em que a grande detentora e que investe fundo em pesquisa é a empresa privada”, disse Luciana Oliveira.

Mais da metade dos 21 pedidos gerados por brasileiros é de empresas ou instituições de pesquisa públicas. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) lidera o ranking, com seis pedidos, seguida do Instituto Nacional  de Pesquisas Espaciais (Inpe), com quatro.

Goulart  advertiu, porém, que a célula de combustível apresenta dificuldades para utilização de maneira operacional, sobretudo na indústria automobilística para abastecimento dos automóveis. A estocagem do hidrogênio para abastecer os carros nos postos ainda é um desafio. “Mas, são problemas que, aos poucos, as áreas de pesquisa e desenvolvimento vão tratando de resolver”.

O Brasil e a maioria dos países vêm desenvolvendo estudos sobre a matéria. O interesse do Inpi pelo levantamento leva em conta que a informação de patentes é muito importante para os pesquisadores e as empresas. O período estudado respeita a chamada fase de sigilo, que corresponde aos 18 meses transcorridos após o depósito do pedido de patente. Por isso, os dados referentes ao período posterior a 2005 não foram incluídos no trabalho. (Agência Brasil - Alana Gandra)



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