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Ceia de Natal pode ser mais barata neste ano por conta da cotação do dólar 24/11/2009

São Paulo - A projeção de que o dólar feche o ano valendo cerca de R$ 1,70 leva a crer que a ceia natalina do brasileiro ficará mais em conta do que no ano passado, quando a moeda norte-americana valia R$ 2,33.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Sussumu Honda, os produtos importados como castanha portuguesa, nozes, avelãs, amêndoas, condimentos, vinhos estrangeiros e outros tendem a ficar mais baratos.

No caso dos produtos tradicionais e de importação contínua, como bacalhau, azeite e mesmo alguns tipos de frutas oleaginosas que passaram a ser vendidas no dia a dia, a variação será menor.

“A variação [dos preços] desses produtos é menor porque, como no ano passado o dólar subiu muito, os importadores procuraram segurar os preços, trabalhando com dólar médio, então o produto não chegou a subir tanto".

Para Honda, a situação neste ano é bem mais tranquila, porque há previsão de maior oferta de produtos, já que os grandes mercados consumidores - Estados Unidos e Europa, por exemplo - estão enfraquecidos e as empresas têm se voltado para o Brasil.

O professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Giuliano Contento de Oliveira, também acredita que o Natal registre preços mais baixos, o que permitirá ampliar o consumo do trabalhador. Para ele, os preços devem cair entre 15% e 20%, levando ao aumento das venda.

“Isso tende a repercutir favoravelmente para as empresas, ainda que não signifique necessariamente a ampliação da margem de lucro, porque a concorrência tende a se intensificar em face da entrada cada vez maior de produtos de outros países, principalmente da China”.

No caso dos brinquedos, o presidente da Associação Brasileira dos Importadores e Exportadores de Brinquedos (Abrimpex), Eduardo Benevides, lembrou que no ano passado os consumidores não sentiram os efeitos do dólar, porque as compras já haviam sido feitas antes do início da crise, e os aumentos registrados foram os tradicionais, de 5% a 7%, o que deve se repetir neste ano.

“Neste ano os importadores compraram menos porque não tinham previsão de como o Brasil ficaria com relação à crise. Mas no segundo semestre alguns importadores estão fazendo novas compras, prevendo aumento do consumo por conta da queda do dólar”. Para ele, as vendas devem crescer pelo menos 12%.

Para o coordenador de pesquisas do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar Fia) da Universidade de São Paulo, Nuno Fouto, as condições do Natal deste ano não favorecem preços mais baixos do que os do ano passado, porque naquele período havia forte influência da crise, entretanto os produtos importados tendem a ter os preços menores porque já foram negociados.

“A tendência se mantém, não acho que vai haver quedas muito grandes, suficientes para modificar o quadro ante o ano passado. Os preços devem até ser de 1,2% a 3% mais altos, com a tendência de mais procura do que oferta”.

Quem for comprar os enfeites típicos de Natal também não encontrará preços muito inferiores aos do ano passado. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Produtos Populares (Abipp), Gustavo Dedivitis, o consumidor isso acontece porque os importadores compram os produtos com antecedência de seis a oito meses.

“Então, momentaneamente, o dólar barato não tem relação para produtos do Natal. Os importadores já trabalharam com o dólar em um patamar de R$ 2,00, patamar adotado por conta da volatilidade [altas e quedas abruptas da moeda]”. (Agência Brasil - Flávia Albuquerque)



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