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Consumidor deve ficar atento para impedir aumento abusivo de preços, recomenda FGV 04/12/2009

Rio de Janeiro - Embora o verão só comece no próximo dia 21, alguns produtos e serviços já acumulam alta  superior à inflação média  dos últimos 12 meses encerrados em novembro deste ano,  de 4,23%,  refletindo antecipadamente o aumento da temperatura, que, em algumas regiões,  foi de 5 graus centígrados acima do previsto. É o que revela pesquisa divulgada hoje (4) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O economista André Braz,  responsável pelo estudo, alertou que o consumidor deve ficar atento e procurar  as melhores opções para gastar o seu dinheiro. Esclareceu ainda que a pesquisa apurou um  aumento médio, o que não significa que todos os produtos e serviços tiveram aumento de preço.

“Na medida em que o consumidor procura no varejo produtos a um preço mais competitivo e com qualidade, privilegiando aqueles que são  mais baratos, ele está fazendo a sua parte e contribuindo até para que não haja espaço para tanto aumento”, afirmou Braz.

O mesmo procedimento deve ocorrer na parte de serviços. O consumidor deve estar atento para aqueles que oferecem as melhores condições com menores preços. “Fazendo esse exercício, o consumidor valoriza a sua renda e também, impede aumento de preços abusivos”, disse Braz em entrevista à Agência Brasil.

 Teatro,  chope ou cerveja e refrigerantes diet e light lideraram os aumentos acima da inflação em 12 meses, com altas de 9,90%,  9,69% e 9,17%, respectivamente. Segundo Braz, a crise financeira criou um certo desestímulo para consumir por parte de algumas famílias. Ao mesmo tempo, aqueles que conseguiram manter seus empregos na época da crise acumularam ganhos reais em seus salários, o que impulsionou o consumo.

Em contrapartida, o item passagem aérea foi o que mostrou a maior deflação no período (-29,57%), entre os 32 produtos e serviços pesquisados. Na avaliação do economista, a queda se deve, em grande parte, à crise  financeira, que desestimulou a compra de pacotes turísticos. “Foi o que se abateu nas férias do verão passado, devido à insegurança sobre  o rumo que a economia brasileira tomaria diante da crise”.

 A situação deste ano é inversa, destacou Braz.  “A sociedade, em geral, já percebeu que o efeito da crise foi relativamente pequeno na economia brasileira. Há uma expectativa de crescimento da economia para o ano que vem entre 4,5% a 5% para os mais conservadores, e a sociedade se sente mais confortável para consumir”.

 Ele acredita que as passagens aéreas devem  voltar a subir rapidamente, como mostram os preços captados em novembro e início de dezembro. “Essa taxa muito baixa tem dias contados. Vai sinalizar aceleração pela demanda crescente este ano”.

 A lista  revela ainda que refrigeradores e freezers e aparelhos de ar-condicionado estão entre os que tiveram as maiores quedas de preço  no período, com média de -6,82% e -6,03%, respectivamente. O economista da FGV explicou, porém, que a retração do preço do aparelho de ar-condicionado  não reflete aquecimento da demanda, o que deverá ocorrer somente agora, com o aumento da temperatura. “Antes desse período, quando a temperatura andou amena, não  havia demanda aquecida por ar condicionado. E é natural o preço dele cair no inverno”. A perspectiva a partir de agora é de elevação dos preços.

 Em relação aos refrigeradores, ele disse que a queda está relacionada ao incentivo dado pelo governo com a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para produtos da linha branca. Com a limitação agora do incentivo apenas para aparelhos que economizam energia, Braz disse que a tendência, ao longo de 2010, é que a taxa negativa se inverta para números positivos. (Agência Brasil - Alana Gandra)



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